Em resumo, eis alguns ingredientes para uma obra cuja arte revela a cada plano estar carregada do ar do ineditismo: Saura filma o ensaio de um espetáculo de dança flamenca, o qual, por sua vez, é a encenação de uma peça de García Lorca. Poucas sensações geram tanto contentamento quanto a de estar convicto de ter testemunhado um revigorante marco estético-narrativo. Uma história contada dentro de outra, por meio de montagem rítmica, câmera esguia e fotografia luminosamente profunda. A ausência de widescreen mal se faz notar; Saura enquadra com estonteante precisão e beleza. Capítulo inicial de uma trilogia não-planejada, coerente e sólida – a do Flamenco.