O que é bom permite suspender a descrença e aceitar o que, não sendo mau, não é Lola Créton.
- O uso da (boa) música obedece a um esquema demasiado rígido, e tem uma função essencialmente decorativa – nunca a música se funde com as imagens;
- Há algo demasiado apagado em Sebastian Urzendowsky (Sullivan);
- Excessiva turbulência na edição – pouco tempo para aprofundar episódios, para aprofundar sentimentos;
- Nunca a memória tem um papel tão vincado quanto poderia. Há um amor antigo. Há uma casa antiga. Há uma vida antiga. Mas nunca o regresso a esses “locais” faz vibrar a reminiscência de um amor primordial;
Isto é o que não é Lola Créton, ou o olhar de Lola Cretón. Não é um olhar culpado, ou sonhador, ou desejoso. É, antes, um olhar vazio, onde cabe tudo quanto se lhe possa atribuir, com pequenas variantes – o olhar da paixão adolescente, total e desimpedido; o olhar da paixão adulta, de fascínio intelectual e racionalidade; o olhar “inevitável” do regresso ao amor antigo.
Suspendendo a descrença, “Un Amour de jeunesse” vibra de sentimento e emoção e sensualidade