“Last Night” é um drama sobre o amor. Aborda terrenos movediços e delicados em torno da traição por amor: a paixão e o desejo… a infidelidade e a desconfiança… e o casamento perante as relações extra-conjugais. As dificuldades do amor e onde ele verdadeiramente está. É uma história de adultos para adultos nas mesmas condições de estatuto relacional.
Ser casado aqui pode parecer um mero detalhe mas a verdade é que, na minha visão, todo o filme gravita em torno desta detalhe fundamental. É o factor casamento que impede, agrava e fabrica as tentações.
E é a partir do casamento que se faz a exortação dos sentimentos do coração, adultos que deixaram para trás ora casos mal resolvidos ora o desejo premente do momento.
“A Última Noite” não só é visualmente belo, em contínuo estado de candura, que igualmente nos seduz e embala ao longo do visionamento. O que mais sobressai neste “Last Night” são os diálogos brilhantes, que são proferidos com elevada importância, por vezes contundentes, exímios no peso de cada palavra e que encerram nelas todo um universo de sentimentos diversos sem grandes subterfúgios.
A entrega culpada dos corpos, imiscuídos na ardência da oportunidade irrecusável, será o que resta de instantes sofridos nos corações de cada um. Momentos de baixar a guarda, onde antes foi uma ilusão depois é a exigida recompensa da fantasia. O facto é que os passos foram dados sem recusa, e tudo se conduzem-se ao ponto chave dos actos: a culpa irreparável.
É o tormento na alma que a passa a habitar e aí se reprimem os acasos de uma noite… um momento.
Tudo parece que continuará igual… mas… será mesmo assim?
Classificação: 8/10 – Muito Bom
Cine-critica completa aqui (com imensas fotos e excertos de diálogos):
http://armpauloferreira.blogspot.pt/2011/06/cine-critica-last-night-2010.html