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Reviews of Léon Morin, Priest

Displaying all 2 reviews

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Picture of Frankly, Mr. Shankly

Frankly​, Mr. Shankly

1Apr12

Uma jovem moça, atéia, militante do partido comunista e marxista típica, entrando numa igreja para provocar um padre e disparar, no confessionário, a famosa frase “A religião é o ópio do povo” soa, no mínimo, instigante. Apesar disso, mais instigante e surpreendente é a relação que estes dois personagens (tão antagônicos), o padre e intelectual Léon Morin (Jean-Paul Belmondo, soberbo) e a comunista Barny (Emmanuelle Riva) vão construir no decorrer do filme.

Léon Morin, prêtre (1961), traduzido porcamente para “Amor Proibido”, é o sétimo filme deste que é talvez o melhor cineasta do cinemão francês: Jean-Pierre Melville. Pouco conhecido, apesar de ousado e bem à frente de seu tempo, seja pelos diálogos afiados sobre espiritualidade, fé e crenças, quanto pela trama em si, bastante original e repleta de tensão sexual, esse filme merece a tag de must-see.

Com diálogos ricos, uma narrativa ousada e personagens críticos (cínicos) e conscientes de suas escolhas morais (pelo menos até certo ponto), Melville construiu um excelente exercício de reflexão sobre a existência de deus e a forma como lidamos com a fé, através de uma relação pouco usual no cinema.

Mesmo ateu, gosto da ideia de que cada um pode enxergar e sentir deus à sua maneira, e é nesse aspecto que achei este filme do Melville bem provocativo. Exemplo disso é quando em uma determinada cena, o padre Léon Morin afirma que Barny, a protagonista marxista e atéia, está mais próxima de deus que os seus paroquianos, alfinetando a superficialidade com que as pessoas lidam com a própria espiritualidade/fé, o que é bastante comum tanto no cristianismo quanto em outras religiões, seja por desleixo, seja por ignorância.

A trama, inclusive, é algo que sempre quis ver há muito tempo: um confronto espiritual/ideológico direto entre um marxista e um cristão esclarecidos, onde os pontos de vista de ambos tivessem o mesmo nível de consistência e profundidade. Isso porque é fácil tanto para um ateu quanto para um cristão acusarem um ao outro de ignorantes usando pensamentos prontos, carentes de argumentação e criticismo. Nesse aspecto, o filme do Melville tem bastante credibilidade.

Com um preto-e-branco de encher os olhos e cortes que são típicos do diretor (assumidamente fã do cinema noir americano), Léon Morin, prêtre é ainda um filme bastante delicado, já que a relação entre os protagonistas evolui, transcendendo as questões filosóficas e se transformando numa paixão que se percebe presente, porém oculta. Além disso, o contexto histórico em que os personagens estão inseridos (França durante a ocupação nazista) ganha uma tonalidade secundária, onipresente, tamanha a intensidade da relação entre eles.

Anos-luz distante do que vemos hoje em dia nas discussões sobre ateísmo, sobretudo na era Facebook, onde os xiitas do novo milênio pregoam o ateísmo como uma nova religião, viralizam chavões e situações fora de contexto em um oceano de senso-comum, subestimando a liberdade do outro em ter suas próprias crenças ou ter sua própria espiritualidade, Léon Morin, prêtre me pareceu um filme bastante oportuno.

Outras indicações desse nobre diretor: Le Samouraï (1967) e Le Cercle Rouge (1970)

  • Currently 5.0/5 Stars.
Picture of Adam Suraf

Adam Suraf

29Jul11

The first of three consecutive Melville films to feature newly minted superstar Jean-Paul Belmondo in the lead, here playing a good looking country priest who takes the confessions, and intellectual conversations of sexually repressed and psychologically frustrated women during the Occupation, but finds a tough sell in atheist, communist widow Emmanuelle Riva.

Melville takes Beatrix Beck’s novel, about the yearnings of the woman for the handsome priest, and turns it into a symbolic story where the intellectual conversations between Morin and his flock are as much a form of sanity and resistance during the Occupation as was the silence between the niece and the “good German” in “Le Silence de la mer”, but where the former was marked by expressionistic lighting and the restrictions of budget and location, here Melville, working primarily out of his Rue Jenner studio, takes pains to construct a mise-en-scene, through experimental editing and classical framing, that neither enhances, or devalues Morin’s superiority over the women. It’s a fine example of Melville’s continuing, expanding dictatorial directing style.

  • Currently 4.0/5 Stars.