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Mary E Max, de Adam Elliot

Já faz muito tempo que animações deixaram de ser coisa de criança para cair nas graças do grande público. Praticamente todos os recentes blockbusters como Toy Story, Shrek e Wall-E, entre muitos outros, trazem elementos que conversam diretamente com todas as faixas etárias, conseguindo encantar as crianças ao mesmo tempo em que emocionam os adultos. Mas para tornar o cenário ainda mais interessante, nos últimos anos tem surgido animações direcionadas ao público adulto, sem deixar de lado toda a magia do universo animado. “O Fantástico Senhor Raposo” e “O Mágico” são apenas alguns bons exemplos do caso.

Escrita, dirigida e criada por Adam Elliot, a belíssima animação em stopmotion “Mary E Max” chega para complementar a lista de forma graciosa. De um lado do mundo vive Mary, uma menina australiana rejeitada na escola, filha única de pais problemáticos. Em uma visita ao correio, escolhe um endereço aleatoriamente na lista de telefones, e resolve escrever para saciar uma curiosidade e, quem sabe, dar início à uma nova amizade. Quem recebe sua carta é Max, um americano de meia idade que troca de peixe como quem troca de roupa, e divide seus problemas mentais com seu psicólogo e com Ravioli, seu (único) amigo imaginário. A diferença de idade é um mero detalhe perto de tantas coisas em comum.

A partir daí, ambos passam a esperar ansiosamente pela próxima correspondência, até que o inesperado passa a integrar a rotina de cada um. Entre dúvidas, curiosidades, fotografias e muitas confidências, Mary e Max tornam-se melhores amigos sem nunca terem se visto pessoalmente, portanto ignorando qualquer pré conceito que normalmente poderiam ter tido pela aparência e primeiras impressões. Infelizmente a distância não impede desentendimentos, e os sentimentos são colocados à prova em todo instante, cabendo apenas à eles mesmos avaliar o peso e a importância de uma verdadeira amizade. Mas enquanto não temos controle sobre a nossa família, nossos amigos somos nós mesmos quem escolhemos.

Com uma direção de arte incrível, a Austrália ‘amarronzada’ (e quase rural) se opõe à Nova York bucolicamente retratada em preto e branco.

“Mary e Max” é um verdadeiro tributo à amizade.