Esta incursão do ator Mathieu Amalric na direção foi imediatamente comparada aos trabalhos de John Cassavetes – e com razão. O novato no ofício parece partir do improviso, abusando de uma direção naturalista, onde a única interpretação verdadeiramente “encenada” é justamente a sua. Amalric não conta propriamente uma história, prefere acompanhar a trupe de dançarinas americanas – e seu empresário francês – em sua turnê pela costa da França como que num vídeo-registro. A câmera captura o cotidiano colorido do grupo e seu humor ácido, quase sexual, como se estivesse de passagem. E é aí que o cineasta acerta ao batizar seu filme: como diário de viagem, Turnê funciona lindamente. Quando tenta inserir um drama a seu personagem, o filme perde um pouco o foco. Mesmo assim, ainda é uma obra rara.