Para se livrar da imagem de ser um efêmero ídolo da musica pop, a protagonista Mima Kirigow se vira para a carreira de atriz em filmes que exigiam algo substancial dela, mostrando o seu amadurecimento como pessoa e profissional, tal como visto em momentos onde ela acaba se colocando em situações difíceis por aceitar, pela vontade da maturidade, papeis polêmico, levando a uma imagem abrupta de contrariedade a infantil cantora pop.
Nesta ânsia pela emancipação, Mina aparenta desenvolver outra personalidade que a acusa e pede retração desta caminhada – como uma frustração intima por querer se livrar de sua interior imagem. Essa atmosfera é principio fomentada não apenas pela consciência de Kirigow, mas por um fã perseguidor que está de comum acordo com o ideal da Mima como a inocente cantora, este acaba se autodenominando Me-Mania.
A “outra personalidade” da atriz aparentemente toma o controle liquidando pessoas ligadas a ex-cantora, que a tenham influênciada, a tirado da inocência, como se a decisão não fosse dela – o roteiristas, os diretores, o ganancioso agente, o fotografo abusado… -, enlouquecendo-a a ponto dela se perguntar se está pedida entre a realidade e ilusão. Porém o desfecho revela a verdade sobre o empecilho do crescimento da atriz, o que e início era ela mesma.
O diretor Satoshi Kon envolveu as dificuldades da mudança de Mima, o ideal do passado com a nova personalidade do futuro, em uma esfera de conflitos e passagens que é a personagem no presente: todo esse embate do amadurecer, das escolhas, do deixar da fragilidade, para ousar e enfrentar. Mima rompe com a personagem que a tinham colocado para seguir e inicia seu próprio caminho e tropeços. Liberta-se de mãos como as de sua agente Rimu.
O curioso título da obra traz a reflexão à estabilidade íntima e calma dos conflitos internos que possa significar a cor azul, a busca pelo azul perfeito.
Recursos técnicos como cortes abruptos de cenas e passagens de tempo asseguram à estilística e enigma da animação – uma serie de armadilhas bem feitas para o telespectador -, em conjunto os traços do competente MadHouse.
É digno de nota a metalinguagem do filme onde há o enredo em um ambiente cinematográfico, e ainda mais, a trama de dupla personalidade se desenvolver junto ao texto criado para o papel de Mima em sua carreira de atriz, o qual desdobra uma personagem com mesmo problema. Enfim, um jogo de perguntas e respostas excitante para a história.
O longa é um diamante da pequena coleção preciosa do cineasta que é Kon e como os outros, traz à luz a beleza artística do cinema e do envolvimento deste com a animação.
via Identidade Solida