Nessa resenha, eu irei apenas listar os momentos que mais me surpreenderam e alguns que não consegui interpretar o significado:
- O cientista Burton no trânsito – o filme gasta uns bons minutos mostrando Burton voltando para casa num tráfego pesado. Não entendi bem o porquê e achei essa parte um pouco entediante. Há outro momento no qual o diretor também focaliza um quadro por algum tempo na estação em Solaris. Mas essa parte eu consegui fazer minha própria interpretação.
- No início do filme, Kris toma um banho de chuva na Terra e parece não ficar muito incomodado a respeito. Em Solaris, não há chuva e possivelmente apenas chuveiros da estação. No final do filme, o pai de Kris aparece na sala da antiga casa e chove sobre ele, mas uma chuva de chuveiro, sem mostrar muito bem de onde vem a água. Interpretei essa parte como se a consciência de Kris materializada pela sua mulher soubesse do gosto de Kris em tomar banho de chuva. Porém esse fenômeno foi passado para o Oceano de Solaris como água de chuveiro.
- Interessante notar que o filme nem tenta explicar as consciências dos outros cientistas, é tudo bem interpretativo. As consciências deles são crianças, anões e mulheres mudas fazendo barulhos. E eles não conseguem aceitar e parecem até desprezar a materialização de suas próprias consciências.
- O momento que a esposa passa alguns minutos focalizando o quadro mostrando uma paisagem no inverno não achei tão entediante quanto Burton preso no trânsito. O quadro, como é de se esperar, não há movimento, é tudo parado, sem vida. Porém, você ouve os sons a medida que a câmera vai deslizando e passeando pelo quadro, cães ladram, pássaros cantam. Interpretei como o Oceano de Solaris utilizando a consciência materializada de Kris para estudar a estação inverno. Quando Kris fica doente, ele conversa com sua mãe e o mesmo quadro está lá. E quando Kris volta à “Terra”, a paisagem é como um quadro, sem vida – a Terra planejada por Solaris para Kris.
- Aliás, a conversa que ele tem com sua mãe é outro momento que boiei. As frases parecem totalmente sem nexo. O que eu subentendi é que Kris tinha algum complexo de Édipo, tanto que seu pai chama Burton para convencê-lo de abandonar a idéia de ir para Solaris. Como seu plano não funciona, o pai apela e diz que ele se arrependerá pois não estará na Terra para o seu próprio enterro.
- A parte filosófica do filme é sobre a busca do homem por tudo que é longe, distante, diferente. O interesse em descobrir de onde viemos, explorando novos mundos, viajando para fora da Terra. Quando na verdade para podermos entender de onde viemos, precisamos explorar a nós mesmos. O homem foge disso como o capeta da cruz. Nós buscamos fora, e a resposta se encontra dentro de nós mesmos.