O vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2008, acompanha o ano letivo de uma classe em uma escola de Paris. Baseado no livro do professor François Bégaudeau (que interpreta a si mesmo), o filme é uma honesta descrição da relação entre alunos e professor. Nada moralista, a produção tem o, aparentemente simples, objetivo de mostrar o “fazer docente”, seguindo de perto o cotidiano de um homem apaixonado por seu trabalho e que, mesmo com tantas dificuldades, conserva um afeto sem tamanho por seus aprendizes.
Esqueça todos os clichês do cinema hollywoodiano quanto ao tema. Mestres como Robin Williams em Sociedade dos Poetas Mortos existem apenas na ficção. François Bégaudeau é um professor de verdade: ele desafia seus alunos, erra, fraqueja, mas jamais desiste – tudo o que ele deseja, afinal, é ensinar.
Por trás das câmeras, nenhum aluno é ator de verdade. São todos alunos interpretando alunos. E isso, é uma das maiores qualidades do filme, já que tudo flui de forma muito natural. A câmera passiva de Cantet, que observa tudo em silêncio, nos faz questionar se o que vemos é mesmo uma encenação. E a linha que impede o filme de ser um documentário é muito fina, quase imperceptível.
No final das contas, para mim, Entre os Muros da Escola é o segundo melhor filme sobre educação jamais feito. Em primeiro lugar, ainda está o excepcional documentário de João Jardim, Pro Dia Nascer Feliz. Os dois diretores retratam o mesmo universo, mas em realidades diferentes: o francês, tem em mãos um professor que sofre para extrair o melhor de seus alunos; o brasileiro, mostra alunos que sofrem com a ausência de professores como François Bégaudeau.