Reviews of The Enigma of Kaspar Hauser
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ana kinukawa
19Feb12
“O Enigma de Kaspar Hauser” é um filme sobre o homem e as diversas questões que existem sobre nós mesmos. Através do desenvolvimento de um ser de origens misteriosas que nunca antes havia tido contato com a civilização a um homem devido, ser pensante, se essa for de fato a definição da humanidade, Werner Herzog tenta compreender a sociedade e aqueles que a compõem. Sem saber andar ou falar, Kaspar é abandonado, por seu “pai”, na praça de um vilarejo com alguns objetos em mãos. A população local o acolhe e, ao mesmo tempo em que cuidam de seu ilustre convidado, satirizam-no e o temem, o que faz parte da reação comum ao estranho. Neste ponto da história, seria o personagem central classificável como “homem”? Deve-se analisar sob o ponto de vista biológico ou social? Não seria nem um pouco estranho ver o homem sentir estranhamento pelo próprio homem. Talvez esta tenha sido uma das muitas críticas à sociedade feitas pelo diretor. Somos egoístas a ponto de discriminarmos o semelhante. Enfim, Kaspar aprende o básico, como se endireitar à mesa, falar, ainda que somente repetindo o que os outros dizem, andar e correr. Essa última capacidade posta em prática quando ele foge do circo no qual os representantes públicos desejavam inseri-lo, para que ganhassem dinheiro de alguma forma. Porém Kaspar ainda não distingue bem de mal. É um animal instintivo, reagindo às coisas que lhe trazem dor, como queimaduras de fogo. Suas reações são interessantes de se observar, uma vez que, recém-encontrado pelos moradores da cidade, ele não sentia medo, pois ninguém jamais o ensinou a temer. Foi só depois, com a experiência do fogo que ele começou a demonstrar receio por certas coisas. Na verdade, é só com a proteção de um senhor idoso e culto da localidade que Kaspar aprende a pensar de fato e a desenvolver o que sente. Ele lê, escreve, toca música, sem se importar com a estética. Tudo o que importa é se expressar. Seria isso pensar? Arranjar um jeito para se explicar? Não é nisso que o professor de Lógica acredita, o que frustra Kaspar. Descobre-se que é um homem sensível, que, por não ser parte tradicional da sociedade, questiona certas convenções sociais, como o papel das mulheres e a religião. Mas ele sempre acaba frustrado por não compreender o porquê das coisas. É dessa forma que ele enxerga a realidade, como algo cruel. Mais adiante, ele viria a morrer por essa mesma malevolência humana. Um desconhecido o assassina na segunda tentativa de homicídio. Não é dito quem, nem o porquê. Tudo o que nos resta é a dedução. A mesma dedução do professor de Lógica. A mesma dedução dos médicos presentes da autópsia do corpo de Kaspar. É assim que o homem vive, na neblina, tendo no pico da montanha na qual caminha a morte.
- Currently 5.0/5 Stars.
Joshua Dysart
26Jan10
Herzog is a favorite of mine and this film perfectly illustrates why. The performance by Bruno S. is hypnotizing. The actor seems to be receiving a transmission as opposed to acting. The film embraces the myth of Kaspar Hauser and ignores findings suggesting that much of his story was impossible, or that he was regarded as a pathological liar and that several of the people who cared for him came to detest him, later testifying that they thought he was a con-man. Nonetheless, as often is the case with Herzog, he’s more interested in the deeper truth of human existence than in the actual details of Hauser’s case. He’s obviously taken with the feral child concept and the idea of using it as a symbol of the individual against the collective, the uncivilized against the civilized. And though I’d love to see someone tell the “real” story of Hauser, this piece of cinema poetry, infused with just a hint of philosophical rage, is pitch-perfect in nailing its intent.
- Currently 4.0/5 Stars.
La Faulx
23Aug09
A biographical film of feral child Kaspar Hauser in 19th century Germany. An innocent man that is trying to cope with the idea of being human and integrate into modern society. The arrogance of man (medical and religious persons) towards the childlike Kaspar is shown in this film.
The lead role is played by actor Bruno S., a peculiar and intriguing man, who was found by Herzog when he contributed in a documentary about street musicians. He is the perfect person to play the role of Kaspar Hauser. The opening scene of this film is truly beautiful, grass/wheat blowing in the wind with Pachelbel’s Canon as soundtrack. A wonderful film!