O novo filme do cineasta mais velho do mundo tem efeitos especiais. Manoel de Oliveira cria uma história de amor que transcende a morte em O Estranho Caso de Angélica, um respiro em seus filmes mais densos, uma brincadeira conduzida com suavidade, apesar do diretor sempre fazer questão de dar corpo ao sentimento de seu protagonista. O roteiro abraça o fantástico e as imagens incorporam a ideia sem pudores numa das cenas mais lúdicas da filmografia recente do cineasta. O filme também é farto de bom humor, mesmo quando Manoel faz suas citações de praxe, elegendo temas curiosos para uma mesa de almoço. O que me incomodou um pouco no filme foi o quão escuro ele parece. Não sei até que ponto a projeção tem culpa nesse cartório.