É fato que nos últimos anos vêm surgindo no mercado diversos estúdios extremamente competentes, com ótimos trabalhos em diversas técnicas de animação. Enquanto a Pixar reinava absoluta com seus clássicos modernos, longas como “Shrek” e “Era do Gelo” chegaram de mansinho e também conquistaram seu merecido espaço.
Mas não adianta. Mais de 10 anos se passaram desde o primeiro longa da Pixar (Toy Story, 1995), e são eles que continuam a nos surpreender. A cada novo projeto, um tema original e uma inovação tecnológica. Foi assim com os brinquedos em “Toy Story”, com os pelos em “Monstros SA”, com o fundo do mar em “Procurando Nemo”, e por aí vai. E, se no ano passado eles pegaram todos de surpresa com a ingenuidade do robozinho Wall-E e todo o espaço sideral, esta foi a vez de jogar os fãs às alturas. E foi exatamente o que eles fizeram!
“Up – Nas Alturas” conta a história de Carl Fredricksen, um simpático senhor que passou a vida toda ao lado de sua esposa Ellie, sonhando em explorar a América do Sul. No (excelente!) prólogo da animação, acompanhamos rapidamente toda a relação entre Carl e Ellie, desde crianças, quando se conhecem, até a morte de Ellie, já bastante idosa. Percebemos também que a “promessa” nunca foi cumprida, e agora Carl vive sua rotina diária solitariamente na mesma casa em que moravam como casal. Porém, prestes a ser enviado à força para um asilo, o senhor Fredricksen faz sua última tentativa de cumprir a promessa que fez à falecida esposa. Para isso, amarra milhares de balões no telhado de sua casa, e parte para a tão sonhada viagem.
E se adotar seres humanos como protagonistas já tinha sido explorado em “Os Incríveis”, Up eleva ainda mais à perfeição e traz o céu como inovação, algo brevemente explorado no ótimo curta “Parcialmente Nublado”, exibido antes da sessão.
Ah… a perfeição! Um capítulo à parte em qualquer projeto que envolva o nome Pixar. Com 10 projetos em quase 15 anos de vida, quase nada se repete, com excessão da continuação Toy Story 2, lançada em 1999. Cada novo projeto traz um tema totalmente inédito e inexplorado pela produção, deixando nós fãs sempre curiosos pela estreia.
Mas tudo bem. Quando eu saí da sessão de “A Era do Gelo 3”, estava hipnotizado pelas maravilhas criadas por Carlos Saldanha. Mas não adianta. Quando se sai da sessão de uma animação com o selo Pixar, o nível é jogado lá para o alto, e te faz relembrar porque eles continuam sendo os melhores. E não é apenas pelos gráficos. As histórias, personagens, gags, tudo funciona perfeitamente para deixar “Up” muito superior até à filmes com atores de carne e osso.
PS: Preciso tirar o chapéu para a dublagem da versão brasileira de Up. Eu nunca gostei de assistir à filmes dublados, e ultimamente só tenho feito por falta de opção. Mas Chico Anysio conseguiu construir um Carl cheio de emoção. Além dele, destaco também a dublagem da Ellie (quando criança), que ficou muito boa.
Não deixem de assistir à mais esta obra-prima da Pixar. E que venham os próximos lançamentos!