Para os desavisados, “E Sua Mãe Também” não passa de mais um road-movie com jovens curtindo a vida sem pensar nem se preocupar com o amanhã. E talvez para mim também seria, se eu o tivesse assistido um tempo atrás. Assistindo hoje, consegui me envolver muito mais, e identificar outros aspectos que fogem da leitura superficial.
Tenoch e Julio são adolescentes, grandes amigos e praticamente irmãos. Ambos namoram. No auge de sua adolescência, descobrem juntos os prazeres (e desprazeres) da vida, sempre de forma intensa e inconseqüente. Após as namoradas (também amigas) partirem para uma viagem à Europa, eles conhecem Luisa, a atual mulher do primo de Tenoch, e num convite sem pensar, partem para uma viagem de carro até a praia Boca Del Cielo. Ambos passam uma segurança muito maior do que realmente tem, e sem entregar o jogo, sabem que já descumprimam algumas das próprias regras, de uma espécie de 10 mandamentos que os grandes amigos devem cumprir. Com Luisa, eles querem curtir. Uma mulher madura, experiente, que pode proporcionar algumas experiências que eles ainda não viveram.
A temática já foi discutida muitas vezes no cinema, e o triângulo é talvez o tema mais recorrente de todos. Mas quando o vemos em uma produção latino americana, com toda sua crueza e intensidade, nos lembramos porque a sensibilidade fica sempre mais evidente no cinema fora do circuito comercial. Engraçado pensar que após um filme tão rico e delicado, Alfonso Cuarón dirigiria uma das partes da franquia Harry Potter.
Para mim, muito mais do que mais um road-movie, E Sua Mãe Também fala das pessoas “meteoro”, que em um curto período de tempo, passam pelas nossas vidas e marcam eternamente. Pode ser um parente, um grande amor, um melhor amigo, ou apenas alguém especial. A dor da perda, por falecimento ou afastamento é enorme. Mas fica a questão: sabendo que não duraria para sempre, você preferia não ter vivenciado aqueles momentos, ou faria tudo outra vez? O filme discute também as escolhas que fazemos durante a vida, e o rumo que as coisas tomam.
Ao lado dos filmes do Almodóvar e outras produções latinas como “Whisky” e “Leonera”, “E Sua Mãe Também” é uma grata surpresa que enriquece ainda mais o cinema falado em espanhol.