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Up

By Bruno Sanchez on October 2, 2011

Dizem que para uma música ser boa, ela precisa lhe causar arrepios e fazer brotar lágrimas em seus olhos. Se a mesma “teoria” valer para filme, então Up é um absurdo de bom!

O que pode ser um problema, já que a cada novo filme da Pixar, fica mais difícil estabelecer uma ordem de favoritos do estúdio. Afinal, até hoje não sei dizer se prefiro Procurando Nemo a Os Incríveis; ou se Monstros S.A é melhor que Ratatouille. Simplesmente não consigo – e sofro por isso.

E, acredite, Up tem qualidades suficientes que podem colocá-lo no meu “TOP 5 Pixar”. Algo que percebi logo na sequência inicial do filme, que é uma das coisas mais lindas que o cinema já produziu (aquele que não se emocionar, pode muito bem enfiar uma faca no coração que provavelmente não vai sentir nada). Mas isso são só alguns minutos de uma produção absolutamente maravilhosa, em todos os sentidos.

O primeiro filme do estúdio em 3D não poderia ser outro: como o título entrega, a maior parte de Up acontece nas alturas, o que é um prato cheio para o ganho de profundidade oferecido por aqueles óculos mágicos. Seu visual é arrebatador (luzes, texturas, movimentos: tudo é fantástico) e, diferentemente de A Era do Gelo 3, nada pula da tela gratuitamente. A tecnologia está lá para ajudar a contar uma história.

E que história! Esqueça o excesso de acasos e o fraco vilão: Up é sobre amor eterno, sobre vida e morte, sobre amizade e esperança (por mais piegas que isto soe). E, para mim, o mais fascinante no trabalho da Pixar é a capacidade de seus animadores e roteiristas em desenvolver personagens complexos e interessantes: o boneco que acredita ser patrulheiro espacial (Toy Story); o robô que não fala e mesmo assim expressa sentimentos profundos de amor (Wall-E); o rato com paladar aguçado que sonha em ser chefe de cozinha em Paris (Ratatouille); e agora um senhor rabugento – mas de coração mole – que deseja viajar até a América do Sul sem sair de casa.

Como é gostoso e inspirador ver Carl Fredricksen (velhinho de 78 anos) e Russell (garoto escoteiro) em tela. Assim como Buzz e Woody, aqui, um complementa o outro: Russell é o filho que Carl nunca teve e a relação de amizade entre os dois é belíssima e muito genuína – e é também dela de onde nascem as piadas mais inteligentes de um filme muito engraçado.

Mas, como disse lá em cima, o único ponto “fraco” de Up (se é que existe um) é seu vilão, o qual achei muito desinteressante. No entanto, se pensarmos bem, ele está ali apenas como justificativa para as excelentes cenas de ação. Pois, na realidade, o verdadeiro vilão da história acada sendo a inevitável passagem do tempo e suas consequências.

E, assim como Carl, eu e você também vamos ficar velhos. Só espero que, até chegarmos lá, a Pixar continue nos presenteando, ano após ano, com filmes tão emocionantes como Up – Altas Aventuras.