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Maria Antonieta segundo Coppola

By Marcos Ordonha on October 30, 2011

Para Sofia Coppola, Maria Antonieta foi a personalidade real mais popular da França. A diretora reclama este ícone, em sua cinebiografia Maria Antonieta (Marie Antoinette), com excessos de tédio e diversão, mas sem desvirtuar o papel da rainha francesa em seu tempo.

Entregue em uma cerimônia simbólica para a junção política das coroas absolutista francesa e austríaca, a menina foi transferida a um cotidiano diferente do sob a proteção e hábitos familiares. O ambiente regido por costumes do “berço da civilização”, festas exuberantes, aonde os adornos iam de obras frias e luxuosas a intrigas e fofocas da corte.

A jovem (Kirsten Dunst) tinha em mente o seu papel: um casamento político com um moço introvertido, Luíz XVI (Jason Schwartzman), que teria que engravidá-la de um menino como mostra da continuidade e manutenção da aliança. Depois disso…

Figura em sua vida politica desde já os desejos estratégicos de sua mãe, a Sacro Imperadora Maria Teresa von Habsburg (Marianne Faithfull), que lhe direcionava no agir na corte francesa.

Maria Antonieta Josefa Joana de Habsburgo-Lorena se torna a futura delfim francesa e mergulha em um mundo de distrações para com a realidade tediosa dos cerimonialismos e compromissos.

Versalhes, antes um local hostil e de desconfianças, se tornou um mundo de distrações depois de seu papel como mulher na sociedade. Entretanto a exuberância de seus desejos manifestou-se no presente de Luis XVI, o palácio Petit Trianon.

Coppola deu ao filme de época bem representadas trilhas contemporâneas que souberam trazer o sentimento da rainha, da melancolia pelo pós-punk ou o mergulho de satisfações do eletrônico da década de 90.

Outro recurso estilístico notável é o uso das cenas de óperas como narração da suscetível vida de Antonieta. A primeira ópera alude à descoberta de um passatempo esplêndido, do começo de sua história em Versalhes. A segunda, figura no auge de si, realizada quanto aos seus filhos, no dia-a-dia afastado no Petit Trianon, como personagem principal de sua própria vida. A terceira obra finda o filme juntamente com a tristeza dos indícios do fim do absolutismo e suas forças.

A Revolução arromba as portas, fazendo Sol se pôr para a bela rainha, retirando- a de Versalhes. Mesmo com intenções, – atestadas em cartas da rainha para a sua mãe – de ajuda para com o povo, o que se fazia com o dinheiro destes não o tirava a fome, muito menos lhe dava brioches (frase sem certeza de autoria). Ela nem tentou equilibrar o seu gosto por luxo e a opinião pública escandalizada, tentando perdões já tarde demais.

É notável uma intenção artística análoga a ao palácio e o filme de Sofia. A estrutura barroca em sua dramaticidade e busca da grandiosidade por artimanhas matemáticas, cobertas por frigidos e elitistas rococós, decoração: Maria Antonieta na fuga da realidade pelo rococó de sua diversão como papel de parede de sua alma barroca de luxurias e tédio.

via Identidade Solida