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Amores Imaginários, de Xavier Dolan

Todo mundo já sofreu por amor. Se você nunca, não se preocupe. Infelizmente (ou felizmente?) também vai acontecer com você. Aquele momento em que a emoção fala muito mais alto que a razão. Buscamos explicações lógicas para tentar entender cada movimento, quando na verdade nem há muito o que tentar entender. Buscamos respostas que tentem diminuir um pouco o buraco, preencher o espaço que ficou.

O tema é universal e discutido constantemente em todas as formas de arte. Logo que o filme terminou, só conseguia pensar em Michael Stipe (do R.E.M.) repetindo o refrão “But everybody hurts, sometimes”. Não disse que em algum momento todos acabam se machucando? Lembrei também de um documentário onde Lourenço Mutarelli diz que o amor deveria ser uma unidade, sentido igualmente pelas duas partes. Assim sendo, terminaria igualmente dos dois lados, evitando o sofrimento desigual. Quem dera!

Em “Os Amores Imaginários”, segundo longa do jovem e promissor diretor Xavier Dolan, Marie, Nicolas e Francis vivem um triângulo amoroso. Pela sinopse, teria passado completamente despercebido por mim, e é por isso que eu adoro quando a escolha do filme escapa das minhas mãos. Nessas, somos surpreendidos pelos pequenos prazeres que a sétima arte nos proporciona.

Há tempos eu não via uma combinação de Fotografia, Direção de Arte e Trilha Sonora tão competente. Os closes permeiam quase todo o filme, e os diversos usos da câmera lenta dão ainda mais força às músicas muito bem escolhidas e pontuadas, mesmo quando repetidas à exaustão, caso de alguns dos temas como o clássico “Bang Bang”, em versão italiana cantada por Dalida. A direção de arte traz cores fortes, mas é o figurino (também à cargo de Dolan) que mais se destaca e fala sobre as personagens.

Assim como o amor, não espere do filme uma lógica muito racional. As pessoas vêm e vão sem grandes explicações, o roteiro se constrói nos pequenos diálogos, na construção dos personagens, dos que se deixam construir. Intercalados às boas sequências, depoimentos (quase documentais) de pessoas comuns narram desamores, desilusões, ansiedades e a eterna e universal vontade de dividir a vida com alguém.

Mas não se esqueça, em algum momento todo mundo se machuca.