Muitos dizem que ninguém retrata a juventude americana tão bem como Gus Van Sant. E ao subir dos créditos finais, não podia pensar outra coisa senão concordar com tal afirmação. Ao lado do também excelente “Paranoid Park”, “Elefante” traz a juventude como protagonista, e discute cada estereotipo formado em qualquer colégio ao redor do mundo. Do nerd ao atleta, da esquisita à anoréxica. Todos estão ali retratados por Van Sant.
Se Guillermo Arriaga resolvesse escrever um multiplot para os irmãos Dardene filmarem em Hollywood, acredito que o resultado sairia bem próximo deste filme. Nele, acompanhamos um dia na vida de diversos alunos de um colégio americano. A mesma situação é mostrada por diversos olhares, em longos planos sequência onde a câmera nem parece estar presente. Ela apenas segue suas personagens em longas caminhadas, e não se importa em estar na frente ou atrás dos atores nos planos.
Antes de assistir, você já sabe que em algum momento alguém vai entrar pela porta da frente e metralhar os alunos, visto que o longa é uma recriação da tragédia da Columbine High School. Mas o ritmo é tão poético e silencioso, que você acaba até esquecendo deste fato. Na metade do filme somos lembrados que algo de ruim irá acontecer, mas que na verdade só acontece no final triste e brutalizante. E é aí que você se impressiona, pois em pouco menos de 1h você é tão cativado, que já se sente parte daquela turma.
Não sei porque nunca tinha assistido à este filme, que agora já faz parte do meu ranking de melhores filmes de todos os tempos. Uma verdadeira obra-prima desta década. A única coisa que não consegui ligar, foi o título do filme com a história. É tão ridículo? Alguém me explica aí…