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chicofireman: Filmography

14 Jan 11
The Fighter

Christina Bale, que eu até agora considerava um ator medíocre, está extraordinário neste filme.

The Fighter

Um dos piores filmes já feitos no Brasil. Um dos piores filmes gays que eu já vi. Uma vergonha.

From Beginning to End
26 Aug 10
Love Songs

Truffaut e Demy reencarnados?

Love Songs
25 Aug 10
Lola

Masterpiece.

Lola
17 May 10
Alice in Wonderland

Muito barulho por nada? É mais ou menos isso. Mas é difícil estabelecer o porquê de Alice no País das Maravilhas não funcionar tão bem assim já que todos os elementos do cinema de Tim Burton estão no filme. A verdade é que é meio inevitável se sentir frustrado ao sair de uma sessão da nova empreitada do cineasta. Sobretudo porque Burton já nos ofereceu banquetes fartos vindos de seu universo fantástico, como nos ótimos Os Fantasmas se Divertem, Edward Mãos de Tesoura e A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça. Este último, revisto recentemente, é um bom exemplo de como o trabalho do diretor pode ser impecável. Além de dominar o visual extravagante da história de Ichabod Crane, Burton controla a afetação de Johnny Depp, que está inspiradíssimo, e imprime um ritmo delicioso de mistério policial à fábula. Já no novo filme, o cineasta parece ter perdido a mão. O longa, que funde os livros As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho, de Lewis Carroll, peca literalmente pelo excesso. O filme parece longo demais, afetado demais e, sobretudo, virtual demais. Isso não quer dizer que o visual não seja menos do que espetacular, mas a quantidade de elementos em cena é tanta - e tudo é tão absolutamente interessante e colorido e se mexe - que depois de meia hora de filme o espectador já começa a ficar cansado com tanta informação. Parece estranho, mas esse excesso de preocupação com a forma, marca do diretor, é o que mais prejudica o ritmo do filme, que não raras vezes fica enfadonho, chato mesmo. Quer uma dica? Não vá para o cinema com sono para evitar dar uma cochilada. Eu, confesso, dei umas piscadas. Mas não dá pra reclamar de tudo: Burton acerta no visual dos personagens individualmente, sobretudo no sensacional Gato, mas mesmo as rainhas, a lagarta ou os gêmeos são visualmente impecáveis. O problema é que não dá pra pensar nos personagens isoladamente. E o roteiro, cansativo, deixa tudo meio aborrecido. A sequência da batalha, por exemplo, é quase insuportável. Parece cena de ação de filme ruim de ação. Sem graça, sem sal. Um bloco de filme que deixa visível a mão pesada de Burton em Alice. O desacerto da direção parece se refletir no desempenho dos atores. Todos estão excessivos, em maior ou menor grau. À exceção da protagonista Mia Wasikowska, quase apática. Anne Hathaway é a que conseguiu equilibrar melhor a afetação da personagem, com seus movimentos quase musicais. Johnny Depp reprisa seus momentos além do tom e Helena Bonham-Carter parece uma metralhadora descontrolada. Impressionante como estes dois últimos funcionaram tão bem em Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet e perderam o prumo aqui. É uma pena porque Alice no País das Maravilhas e Tim Burton pareciam ter sido feitos um para o outro. E mesmo que ele seja um cineasta irregular, com filmes que não cumprem seus projetos completamente, como Peixe Grande, não há nome melhor para nos contar uma história fantástica. Eu até penso em assistir ao filme mais uma vez para tentar mudar de ideia. Tudo para ver se, desta vez, quando Alice cair naquele buraco, eu mergulho junto com ela.

Alice in Wonderland
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17 May 10
Iron Man 2

Um filme fiel à essência dos quadrinhos, mas sem se exceder na reverência ao super-herói. Um roteiro bem escrito que leva a sério o universo em que mergulha e cujo maior dos méritos é equilibrar ótimas cenas de ação com o desenvolvimento dos personagens. Um elenco afinado em que cada um mostra isoladamente seu talento, mas que funciona muito bem em grupo. Estas são apenas algumas das boas coisas que se pode dizer sobre o filme que Jon Favreau dirigiu há dois anos. Sim, o filme em questão no primeiro parágrafo deste texto é o primeiro Homem de Ferro. A brincadeira se justifica porque Homem de Ferro 2, que chega aos cinemas dois anos depois da primeira incursão do herói metálico em tela grande é muito parecido com o filme anterior. Parecido sobretudo no tratamento que Favreau e sua equipe dão a Tony Stark e companhia. O roteiro, desta vez assinado por Justin Theroux (aquele ator medíocre de Cidade dos Sonhos, de David Lynch), é impressionante porque, ao contrário do que se poderia esperar, aposta muito mais na evolução dos personagens do que em cenas de ação, típicas de uma sequência. Estas sequências existem - e Favreau continua se mostrando bastante habilidoso para comandá-las - como na cena no GP de Mônaco de Fórmula 1, mas elas não são o foco. Diretor e roteirista parecem muito mais interessados em explorar o personagem complexo que é Tony Stark, um herói playboy e alcoólatra. Em cena, eles ganham mais uma vez o apoio imprescindível de Robert Downey Jr., cuja caracterização já impressionava no filme original e que aqui é ainda mais sarcástica e irônica, dando estofo ao humor ácido que permeia o filme, mas valorizando a melancolia solitária que está na base do personagem. É o equilíbrio ideal. Sem a preocupação de introduzir um universo, Favreau dá mais espaço para os coadjuvantes. A Pepper Potts de Gwyneth Paltrow ganha mais importância na trama e a atriz acerta em praticamente todas o que não chega a ofuscar - mas também não perde para - a musa do filme. A Viúva Negra de Scarlett Johansson é quase uma mulher fatal de filme noir. Sua única cena de ação é coreografada lindamente. Um grande viva aos efeitos visuais. Favreau também garante sua cota na tela: seu Happy aparece bem mais e é dono de algumas das melhores piadas do filme. Don Cheadle, que substitui Terrence Howard, foi um ótimo reforço à equipe. E do lado dos vilões, Mickey Rourke está impressionantemente sóbrio como Ivan Vanko. Por sinal, imaginar que Rourke e Downey Jr., dois ex-párias de Hollywood, agora dividem um filme dessa dimensão é bem divertido. Mesmo assim quem rouba a maior parte das cenas em que aparece é Sam Rockwell, um dos melhores atores da atualidade, que consegue fazer de seu genérico do Lex Luthor de Gene Hackman um personagem que se leva a sério, administrando a afetação com poucos conseguem. É raros que tantos bons atores em momentos tão inspirados estejam no mesmo filme. E certamente boa parte dos méritos de Homem de Ferro 2 vem da harmonia do elenco. Ponto para Jon Favreau que, de intérprete mediano em comédias bobas, virou um diretor de atores exemplar. E quando texto e atuações são tão importantes quanto cenas de ação espetaculares num filme desse porte, pode ter certeza, por mais que o impacto em relação ao original possa parecer menor, Homem de Ferro 2 é uma pérola no meio de tantos filmes pilotados no automático.

Iron Man 2

Terry Gilliam talvez seja o diretor que mais tem filmes irregulares em sua carreira, sobretudo porque tem dificuldades de uniformizar o timing dos longas. Praticamente todos vão do sublime ao arrastado e, ora encantam, ora exageram quando o assunto é a concepção visual. O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus reprisa os mesmos desequilíbrios, mas é um filme de uma simpatia inegável. O Dr. Parnassus é como um Dr. Lao moderno, que utiliza o circo para explorar um universo mitológico multi-dimensional que abusa da plástica. As sequências dos mundos interiores só acertam quando não abusam dos efeitos visuais. A primeira, restrita à floresta imaginária, é perfeita, ritmada, assustadora. Mas boa parte das outras fica prejudicada - não por conta de seu tom mais shiny, mas - porque os cenários pecam por carregarem as tintas na virtualidade, provocando o efeito de infantilizar o filme. Curiosamente, esse efeito é neutralizado pelo roteiro, sem altos e baixos, o que costuma ser raro no cinema de Gilliam. A cena da dança dos policiais evoca o Monty Python. Christopher Plummer surge com a segurança usual e é bastante exigido, já que o personagem vai do místico ao bêbado em dois tempos. Ele lidera um elenco que tem uma performance impecável de Tom Waits, os ótimos novatos Lily Cole e Andrew Garfield (melhor ator do filme). Mas este longa ficou mais famoso e despertou mais curiosidade por trazer a última aparição de Heath Ledger nos cinemas. O ator, que morreu antes de concluir as filmagens, entrega uma interpretação cheia de ironia - e teve a sorte de ficar com o melhor de seu personagem. De seus substitutos (Jude Law, Colin Farrell e Johnny Depp), apenas Depp mantém o nível, mas ninguém chega a comprometer. A homenagem ao ator está nos créditos finais: "a film from Heath Ledger & friends".

The Imaginarium of Doctor Parnassus
17 May 10
Robin Hood

O paralelo mais imediato que se pode fazer (para ilustrar o que é esse Robin Hood de Ridley Scott) é com Rei Arthur, longa assinado por Antoine Fuqua em 2004. Ambos os filmes partem do pressuposto de que vão contar a verdadeira história por trás de uma lenda britânica. Detalhe: nos dois casos, os filmes vendem gato por lebre em sua tentativa de emprestar embasamento histórico ao nosso inventário popular. O fato é que essa arte da "reimaginação", como se costuma chamar filmes golpistas como estes, é um belo de um pé no saco. E essa definição se acirra quando se trata de um filme de Ridley Scott. O cineasta já teve sua fase de filme notáveis tempos atrás, mas de uns anos pra cá, parece repetir o mesmo modelo de filme-verdade, com câmera trêmula e fotografia azulada, seja na Roma Antiga (Gladiador, 2000), na África em guerra (Falcão Negro em Perigo, 2001) ou no Oriente Médio recente (Rede de Mentiras, 2009). Em Robin Hood, seu método documental tenta credibilizar ~sua versão para a lenda do arqueiro renegado. Para tentar embasar este texto, revi a incursão mais clássica do mito para as telas, As Aventuras de Robin Hood, dirigido por Michael Curtiz e William Keighley em 1938, uma das sessões da tarde mais reprisadas de todos os tempos. O objetivo era observar as modificações na história feitas por Scott já que o conceito defendido no filme de Curtiz pouco foi modificado nas versões feitas do herói até então, passando pelo Robin raposa da Disney e até pelas encarnações de Sean Connery e Kevin Costner. E Scott mudou bastante. Robin virou um cruzado, perdeu sua origem nobre, ganhou quase que uma sina de salvador e não chega a enfrentar seu maior rival, o xerife de Nottingham, duelo que o cineasta parece guardar para a sequência, que, se não vier, não será por falta de deixa. E Lady Marian, aqui Marion, não é mais uma donzela protegida pela realeza. Cate Blanchett tenta defendê-la em vão. Scott não poupou nem os fatos históricos: no filme de 1938, a história se passa quando Ricardo Coração de Leão é aprisionado na Áustria por nove meses para só então voltar a assumir a Coroa Britânica. Aqui, o rei morre numa batalha na França logo no começo do filme antes de retornar a seu país depois das Cruzadas (fato que aconteceu!). OK, as alterações seriam até justificadas se o filme se aproveitasse delas em prol de seus atributos cinematográficos, mas isso não acontece. Essa preocupação em deixar tudo muito sério e sinistro emperra o ritmo do filme, que parece mecânico em excesso e nunca chega a empolgar, como em várias sequências memoráveis de seu ancestral de 1938. Errol Flynn fazia um herói incotestável, mas cheio de humor e leveza, o que decretou para sempre o perfil do herói de capa e espada. Já Russell Crowe, que não chega a incomodar aqui, vive um homem que carrega um peso invisível que não se justifica a não ser para dar o tom sério e importante que Scott confere ao filme. Se o herói de Errol Flynn era mais autêntico por sua esponteidade, o de Crowe tenta ser mais "humano" e termina virando um grande chato. Sobretudo quando, na batalha final do filme (uma versão do Dia D de O Resgate do Soldado Ryan medieval), seus atos heroicos não passam de uma sequência de cenas truculentas filmadas como cinema-verdade que não convencem ninguém de que ali está um filme bom. Talvez somente a presença de Max Von Sydow, sempre um bálsamo em qualquer filme, chegue perto desse feito.

Robin Hood