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Carlos Quintão: Filmography

17 May 10
Iron Man 2

Não são muitas as continuações que se equiparam ao filme original, quanto mais que o superam. Dá pra contá-las nos dedos. A estas se junta agora o ótimo HOMEM DE FERRO 2. Tony Stark, o alter-ego do herói, era um ilustre desconhecido do grande público quando chegou aos cinemas em 2008, sem a fama de um Homem-Aranha, Batman ou Hulk. Quase US$ 600 milhões depois, acumulados só nas bilheterias, o Homem de Ferro virou a sensação do momento. Não é pra menos. Rico, famoso, espirituoso, inventor genial, excêntrico, playboy, narcisista e de bem com a vida e com os milhões, Tony Stark encarna o ideal para o macho moderno. Inspirado no também milionário e inventor Howard Hughes, Stark não carrega a culpa e a amargura de um Batman, que utiliza a figura pública de seu alterego Bruce Wayne como máscara para o justiceiro vingador que, no fundo, odeia tudo que Wayne representa. Pelo contrário, Stark gosta da idéia de ser um super-herói. É apenas mais um privilégio de sua condição financeira e social. Ao lado dos carros e iates caríssimos, repousa uma armadura invencível que o torna ultrapoderoso e o permite voar na velocidade do som. Esta leveza com a qual o personagem encara a função é um refresco perto dos heróis angustiados que inundam as HQs e as telas. Batman, Homem-Aranha, os X-Men, até mesmo o Superman, todos encaram com seriedade, e nem sempre com prazer, o ofício de ser herói e carregam a culpa pelos poderes o colocarem num nível diferente do resto da humanidade. Não quer dizer que o Homem de Ferro não tenha responsabilidade social. Afinal, o herói surgiu a partir da tomada de consciência de Stark, que no primeiro filme é vítima das armas que ele mesmo ajudou a criar. O grande vilão de ambos os filmes do personagem é a própria indústria bélica que até então Stark ajudava a alimentar. Mas a questão é que Tony Stark encara esta “obrigação” de fazer o bem da mesma forma que um James Bond o faz, algo que oferece também uma oportunidade para uma vida excitante e singular. Esta é a maior sacada dos produtores dos filmes do Homem de Ferro: aproximá-los das aventuras de 007, com sua profusão de locações internacionais e gadgets de última geração. Tony Stark é mais próximo do James Bond convencional do que o próprio agente apresentado nos filmes recentes da série – CASSINO ROYALE e QUANTUM OF SOLACE –, movido por um desejo de vingança que o torna menos “perfeito” perante o ideal masculino. Interpretado com gosto por Robert Downey Jr., Tony Stark entra em cena em HOMEM DE FERRO 2 exatamente no ponto em que encerrou o primeiro, anunciando publicamente sua “identidade secreta”. Seguem-se as conseqüências desta atitude, com a mídia dividindo entre prós e contra, e o governo norte-americano pressionando para que Stark lhe entregue o projeto da armadura, visando a segurança nacional. Numa cena impagável, o protagonista é obrigado a comparecer perante a uma comissão do senado para justificar seus atos, sob pena de ser considerado anti-patriota. Em outra, o Homem de Ferro pousa grandiosamente no palco da feira de tecnologia promovida por Stark, que, no mesmo palco, tira a armadura revelando um perfeito smoking, numa homenagem explícita a uma famosa cena de James Bond em 007 CONTRA GOLDFINGER. Os vilões genéricos da vez são Mickey Rourke, como um inventor russo que quer vingança contra Stark, e Sam Rockwell, como um fabricante de armas concorrente do herói. A maior ameaça ao herói, porém, é o próprio, já que o mesmo dispositivo que ele criou para sobreviver no primeiro filme o está envenenando aos poucos. As cenas de ação, como se espera de uma superprodução deste tipo, funcionam bem e são empolgantes, mas é visível o quanto o diretor Jon Favreau (que também interpreta o motorista de Stark) prefere se livrar logo delas para voltar aos personagens, principalmente ao próprio Tony Stark. A armadura é reluzente e imponente, mas a graça do filme está mesmo no homem dentro dela.

Iron Man 2
17 May 10
Robin Hood

Ampliação da lenda seria o termo mais apropriado para o ROBIN HOOD de Ridley Scott. Scott e seu fiel escudeiro Russell Crowe procuram especular sobre o que levou tal personagem a virar o mais célebre dos foras da lei. Vendido como um novo GLADIADOR, que até hoje é o maior sucesso da carreira de Scott e Crowe, ROBIN HOOD periga desagradar aquele que vai ao cinema buscando ação incessante. Só que a opção de Scott por um ritmo menos acelerado e mais bem humorado (algo raro na carreira do cineasta) acaba por tornar seu filme, durante a maior parte de sua duração, um entretenimento inteligente e elegante. Scott toma o tempo necessário para situar o espectador na Inglaterra medieval, e é exatamente a atenção meticulosa com os detalhes históricos e seu foco no lógica interna por trás dos personagens que fazem a força de seu ROBIN HOOD. Me lembra bastante o clima de romances históricos, como os de Patrick O'Brian e Bernard Cornwell (aliás, Scott seria minha primeira opção para uma versão das aventuras de Sharpe para a tela grande). Mas a impressão que dá é que o cineasta mirou mesmo é no realismo obtido por Richard Lester no maravilhoso ROBIN E MARIAN (1976), minha versão favorita para a lenda. Gosto bastante da opção de Scott pela narrativa simples e sem muita afetação, e até mesmo leve, considerando a época retratada. Pela primeira vez em muito tempo, dá a impressão de que o cineasta está realmente curtindo sua função, sem o senso de auto-importância que acompanha a grande maioria de seus trabalhos. É um filme que se acompanha com facilidade, sem que seja preciso com que os realizadores nivelem por baixo por conta disso. Pelo menos até a parte final. Na última meia-hora, no momento em que a narrativa resolve correr em direção à grande batalha entre ingleses e franceses, é que o filme se perde, levando a um clímax frouxo, e deixando em sua trilha alguns buracos incontornáveis de roteiro. É quando surgem momentos constrangedores, como a inclusão abrupta de Marion no meio da labuta, sem que nenhuma preparação tenha sido feita antes para tal ação. Sinal de que teremos no futuro uma inevitável “versão estendida do diretor” em DVD e Blu-ray, na qual ROBIN HOOD deverá encontrar sua cadência apropriada, como aconteceu antes com CRUZADA, do mesmo diretor.

Robin Hood
05 Mar 10
Don't Come Knocking

Este road movie retoma vários dos temas caro a Wenders: a busca da identidade e a autenticidade da imagem são discutidas enquanto deixa claro sua fascinação pela América mítica dos grandes westerns do passado. Com seu semblante de cowboy da Marlboro, Shepard faz um ator cinquentão, longe dos tempos áureos. Mesmo funcionando como uma elegia ao western, traz também as dificuldades narrativas próprias do diretor.

Don't Come Knocking
05 Mar 10
Russian Dolls

Feliz seqüência do hit ALBERGUE ESPANHOL, superior ao filme original em sua leveza e simpatia. Tanto a direção quanto o roteiro de Klapisch estão mais enxutos e o cineasta utiliza bem as angústias do protagonista para refletir com otimismo sobre as possibilidades de comunicação dentro do processo de globalização. Faz isso com bom humor e elegância. O elenco secundário do filme anterior também está de volta.

Russian Dolls
04 Mar 10
Corpse Bride

O melhor Burton, ao lado de ED WOOD. A narrativa, sempre um ponto fraco de Burton, aqui flui com clareza e concisão. Burton transita entre o mundo dos vivos, retratado em tons de cinza e como um espaço de intriga, preconceito e mesquinharia, e o dos mortos, que, como não tem mais nada a perder, vivem numa festa em Technicolor. Animação e visual exemplar, repleto de homenagens, num belo e tocante romance gótico.

Corpse Bride

Um delicioso romance frustrado. O diretor Webb vem de uma criativa carreira com videoclipes e injeta invenção narrativa e visual nos velhos clichês da comédia romântica. Mas a verdadeira graça está no casal central, os simpáticos e talentosos Zooey Deschanel e Joseph Gordon Levitt, que tornam críveis os desenlaces românticos, e respondem em grande parte pela empatia com a qual o filme nos atinge. Ótima trilha sonora.

(500) Days of Summer

Denso e envolvente drama construído praticamente em cima de cenas de confronto verbal. O roteiro de Gore Vidal e Tennessee Williams, baseado na peça deste último, é estruturado como se fosse um filme de detetive, onde a revelação só é apresentada na cena final. Grandes interpretações. Indicado a três Oscars: atriz (para Hepburn e Taylor) e direção de arte em P&B.

Suddenly, Last Summer
03 Mar 10
Swamp Water

Primeira produção hollywoodiana de Renoir, que sofreu nas mãos do todo poderoso da Fox David O. Selznick, responsável, com a cumplicidade do produtor Irving Pichel (diretor de ZAROFF – O CAÇADOR DE VIDAS), pelo final pra cima. Mas Renoir sucede em capturar com surpreendente realismo a vida caipira de uma comunidade à beira de um perigoso pântano na Georgia, onde se esconde um fugitivo da justiça.

Swamp Water
03 Mar 10
The Happening

Shyamalan tem aqui seu OS PÁSSAROS. Eventos inexplicáveis parecem colocar a natureza contra os seres humanos, causando uma série de mortes violentas e auto-infligidas. O diretor abusa dos ângulos hitchcockianos e de seu talento para cenas assustadoras. Ao fundo, reportagens de TV tecem teorias de conspiração sobre as causas do acontecimento e explicitam a paranóia e o sensacionalismo midiático.

The Happening
03 Mar 10
The Last Emperor

É interessante ver um cineasta de esquerda como Bertolucci abordando as transformações que a Revolução Comunista causou na China. Usa como mote a trajetória de Pu Yi, que é alçado a imperador na idade de 3 anos e condenado a viver eternamente confinado na Cidade Proibida. O’Toole, com a classe de sempre, faz seu tutor. Um espetáculo inteligente e elegante, como poderia se esperar de seu diretor, vencedor de 9 Oscars.

The Last Emperor
03 Mar 10
The Wrestler

Pequena tragédia sobre aqueles cujos prazos de validades se aproximam do fim. Rourke tem aqui um daqueles desempenhos lendários, onde arte e vida se misturam. Carrega literalmente o filme nas costas. Trabalho mais maduro de Aronofsky, que abandona seus maneirismos e adota uma postura mais seca. Incomoda o determinismo do roteiro, mas este é de uma tristeza tamanha que a canção de Springsteen encapsula com sucesso.

The Wrestler
03 Mar 10
Coraline

Adaptação fidelíssima do romance infanto-juvenil de Neil Gaiman, do qual se difere apenas na introdução de um personagem masculino inexistente no original, o vizinho Welby. Um deslumbre visual em stop motion do diretor Selick, também responsável pelo belo desenho de produção. É de se admirar a perfeição da animação e a maturidade da fábula, mas, como o livro, não chega a emocionar.

Coraline
03 Mar 10
The Reader

Competente, mas frio drama sobre culpa, vergonha, ignorância e omissão. Kate Winslet ganhou o Oscar pelo papel, apesar de não ser de suas melhores interpretações, no que é prejudicada até pela maquiagem inconvincente. O novato David Kross faz o menino quando jovem e Ralph Fiennes quando velho. A trama é forte e faz pensar, mas a direção burocrática de Daldry não emociona.

The Reader
03 Mar 10
Stage Fright

Funciona melhor como comédia do que como suspense esta produção de Hitchcock na Warner. Com trama passada na Inglaterra, faz ótimo uso dos coadjuvantes britânicos, como os impagáveis Alastair Sim e Sybil Thorndike, que fazem os pais da mocinha, vivida por Jane Wyman. Hitchcock não gostava muito do filme, e se culpava por ter enganado o espectador com um flashback mentiroso. Mas vale pelo humor inglês afinado.

Stage Fright
03 Mar 10
Rudo y Cursi

Reunião dos astros de E SUA MÃE TAMBÉM, Diego Luna e Gael Garcia Bernal, com o co-roteirista daquele filme, Carlos Cuarón, que aqui estréia como diretor de longas. O roteiro é previsível, com os altos e baixos dos atletas, mas diverte e, no limite, reafirma os laços fraternos.

Rudo y Cursi
03 Mar 10
El Norte

Celebrado drama sobre dois irmãos que fogem da Guatemala para os EUA em busca de uma vida mais digna. Foi pioneiro no assunto e é meticuloso na atenção aos detalhes da realidade dos imigrantes. Rodado com atores amadores. Algumas imagens evocativas lembram, por vezes, o trabalho de Olmi e dos Taviani. Não tem a mesma força e evita o tom político de um Loach, ancorando-se demasiadamente em ferramentas melodramáticas.

El Norte
03 Mar 10
Giallo

Decepcionante thriller, ainda mais que deveria soar como uma homenagem ao subgênero que consagrou o cineasta. Não é ruim, mas simplesmente frouxo e equivocado. Brody está deslocado como o protagonista. O assassino serial Giallo ("Amarelo", em italiano, também vivido por Brody, sob pesada maquiagem), não é ameaçador o suficiente. Rodado em Torino, o filme não traz a exuberância visual que se espera do diretor.

Giallo
12 Jul 09
Marebito

Rodado em apenas 8 dias, durante o intervalo entre as filmagens de THE GRUDGE original e sua refilmagem americana, este filme de baixíssimo orçamento de Shimizu realizado em DV, mistura Lovecraft, A PEQUENA LOJA DOS HORRORES, vampiros, Cronenberg, Clive Barker e diversas outras influências e citações para questionar/reafirmar o video enquanto registro da verdade. Aspect ratio: 1.75:1

Marebito

Dominik Moll's STRANGERS ON A TRAIN. Aspect ratio: 2.39:1

With a Friend Like Harry
09 Jul 09
The Mirror

Aspect ratio: 1.66:1

The Mirror
07 Jul 09
Sea of Silence

O belga SEA OF SILENCE, de Stijn Coninx, que representou seu país no Oscar 2004, é bem convencional na forma, mas tem detalhes preciosos.

Sea of Silence

LA VIE DES MORTS mostra que Arnaud Desplechin já era fascinado com famílias enormes e desestruturadas desde seu primeiro filme. Só que o que fazia em pouco mais de 50 minutos, agora gasta cerca de 3 horas. Aspect ratio: 1.75:1

The Life of the Dead
03 Jul 09
Brother

É BOURNE filtrado por James Gray, sem o espetáculo, retrato desolador dos órfãos da Mãe Rússia. Aspect ratio: 1.66:1

Brother
02 Jul 09
Mirror Image

Aspect ratio: 1.75:1

Mirror Image
30 Jun 09
Election

Good image quality in 2.39:1, great movie!

Election
25 Jun 09
Dry Summer

Se inicialmente VERÃO ÁRIDO lembra os filmes de Humberto Mauro e Anselmo Duarte, em sua captação da atmosfera rural e interiorana, aos poucos ganha traços de tragédia, de conotações até mesmo bíblicas - irmão invejoso contra irmão de boa índole lembra Caim e Abel. E surpreende ainda pelo erotismo acentuado. O que é curioso, dada a orientação muçulmana do país. Belo filme, e bela cópia restaurada.

Dry Summer
25 Jun 09
The Housemaid

This encode must be remade, since the aspect ratio is wrong. The image is squeezed on the sides.

The Housemaid