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deleuze e o pensamento nômade

by Louisa Savignon
Filósofo francês acreditava na potência do corpo e em múltiplas formas de enxergar o “real”. Cinema pode ajudar a examinar suas ideias — muito citadas, porém pouco compreendidas. Por Fernando Boechat, no Cineplot Enquanto o pensamento clássico, platônico, pretende a mortificação do corpo para uma apreensão mais pura da verdade, o pensamento nômade encontra no corpo um espaço de resistência aos dispositivos de poder (entramos aqui mais propriamente em Foucault). Se o poder age sobre o corpo, interditando a sexualidade e comportamentos desviantes, é pelo corpo que o pensamento nômade irá ter um de seus campos de resistência. Cabe concluir que… Read more

Filósofo francês acreditava na potência do corpo e em múltiplas formas de enxergar o “real”. Cinema pode ajudar a examinar suas ideias — muito citadas, porém pouco compreendidas. Por Fernando Boechat, no Cineplot

Enquanto o pensamento clássico, platônico, pretende a mortificação do corpo para uma apreensão mais pura da verdade, o pensamento nômade encontra no corpo um espaço de resistência aos dispositivos de poder (entramos aqui mais propriamente em Foucault). Se o poder age sobre o corpo, interditando a sexualidade e comportamentos desviantes, é pelo corpo que o pensamento nômade irá ter um de seus campos de resistência.

Cabe concluir que o pensamento nômade não é um pensamento metafísico, na realidade, ele, assim como o discurso, é também uma prática. Parte da matéria para depois ir para o pensamento. É só através de um choque com a realidade que o pensamento é ativado em busca de alguma verdade (nunca absoluta).

Para Deleuze, “O que define o pensamento, as três grandes formas do pensamento, a arte, a ciência e a filosofia, é sempre enfrentar o caos, traçar um plano, esboçar um plano sobre o caos.” (2000, p. 252)

Isso, se não chega a esclarecer o inesgotável tema que é o pensamento nômade, ao menos aponta para suas características anárquicas e antidogmáticas. Este, mobiliza através de seu pensamento novas formas de existência, singulares, que não se encaixam em quaisquer categorias pré-estabelecidas, sendo a própria categorização um modo de querer enquadrar essa singularidade em um papel pré-estabelecido, da qual ele, em sua natureza transgressora, não pertence.

http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/em-doze-filmes-deleuze-e-o-pensamento-nomade/

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