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século xx

by AHHB
A arte do século Pioneiros do cinema, que, inventado há mais de 100 anos, conquistou o mundo como a grande forma de expressão da época Georges Méliès 1861-1938 Imagine-se que o cinema tinha começado por ser uma balança. Nesse caso, num dos pratos estariam os irmãos Lumière. No/outro estaria este outro francês — o prato da imaginação visual, da crença nas virtualidades mágicas do cinema, no burlesco e na pantomima. Foi este prato da balança, o prato do espectáculo, que decidiu o futuro do cinema. Esse papel de pioneiro ninguém o pode negar a Méliès: quis maravilhar o público do seu tempo; acabou por encantar um século inteiro. Melhor dom: a… Read more

A arte do século

Pioneiros do cinema, que, inventado há mais de 100 anos, conquistou o mundo como a grande forma de expressão da época

Georges Méliès
1861-1938

Imagine-se que o cinema tinha começado por ser uma balança. Nesse caso, num dos pratos estariam os irmãos Lumière. No/outro estaria este outro francês — o prato da imaginação visual, da crença nas virtualidades mágicas do cinema, no burlesco e na pantomima. Foi este prato da balança, o prato do espectáculo, que decidiu o futuro do cinema. Esse papel de pioneiro ninguém o pode negar a Méliès: quis maravilhar o público do seu tempo; acabou por encantar um século inteiro. Melhor dom: a inesgotável capacidade de inventar truques.

D.W. Griffith
1875-1948

Pai-fundador do cinema. Inventou o grande plano, nó dramático da linguagem cinematográfica. Usou dramaticamente a profundidade de campo e a montagem paralela de duas acções para criar o «suspense». Foi o primeiro — e se, em rigor, não o foi em absoluto, é dos casos em que vale mais a lenda do que os factos. Pioneiro na linguagem, foi-o também nos géneros: O Nascimento de uma Nação e Intolerância estabeleceram os grandes épicos, enquanto Broken Blossoms foi avatar do melodrama. O cinema pagou-lhe como as revoluções aos seus autores: rejeitando-o, no final dos anos 20.

Citados
· The Birth of a Nation, 1915
· Intolerance: Love’s Struggle Throughout the Ages, 1916
· Broken Blossoms, 1919

Charles Chaplin
1889-1977

“Permaneço uma coisa e uma coisa apenas: um palhaço. Isso coloca-me num plano mais elevado do que qualquer político.”

Foi sempre o palhaço pobre, o que lhe valeu ser o mais popular e amado dos cómicos. Raramente se notou que o aparente humanismo de Charlot estava revestido de uma crueldade e de um cinismo que fazem dos seus filmes um dos retratos mais macabros da humanidade que somos. As cores desse retrato são, em geral, a violência física, a ganância, a inveja mesquinha e uma perversidade tocando as raias da monstruosidade. É genial que tenha feito o mundo inteiro engolir com gosto e divertimento esta pílula amarga. Talvez a infância miserável de Chaplin, em Londres, seja a raiz da sua visão feroz. Órfão de pai e com a mãe num manicómio, fez pela vida; em feiras e palcos, desde os 5 anos. O maccaartismo, nos pós-guerra, fez-lhe a vida negra e obrigou-o a abandonar os EUA. Chaplin foi acima de tudo, um grande actor de pantomima na tradição inglesa, onde foi buscar o valor do tempo e do ritmo. No cinema, prolongou essa tradição. Concebeu o espaço como uma cena teatral, fazendo durar cada plano o tempo de uma cena (uma espécie de plano-sequência «avant la lettre») e fazendo de si mesmo o centro de cada plano. Começou a carreira cinematográfica em 1913, passando a dirigir os seus próprios filmes no ano seguinte. Realizou a última película em 1966.

Sergei Eisenstein
1898-1948

Este cineasta russo é a figura central do cinema que nasce da revolução de 1917 (e também do cinema em geral, pela lindguagam inovadora, sobretudo no que respeita à montagem) e uma vítima da «estabilização» estalinista. Apaixonado pelo teatro (onde é discípulo de Meyerhold), escolhe o cinema por necessidade de linguagem total. Teórico da montagem, incansável perseguidor de uma arte cujos efeitos fossem predetermináveis por modelos matemáticos, assinou um punhado de obras-primas, como O Couraçado Potemkine (1925), Alexandre Nevski (1938) e Ivan, o Terrível (1944-46).

Citados
· Bronenosets Potyomkin, 1925
· Aleksandr Nevskiy, 1938
· Ivan Groznyy I, 1944
· Ivan Groznyy II, 1958

Erich von Stroheim
1885-1936

De origem austríaca, emigrou para os EUA em 1908. Oito anos depois, encontramo-lo como assistente de Griffith em Intolerância. Em 1918, realiza o seu primeiro filme, Blind Husbands, onde já é nítido o seu realismo simbólico, as ousadias sexuais e uma indecência do intimismo psicologizante. Excêntrico, afrontará os produtores que lhe truncam todos os filmes até à interdição de filmes, aos 43 anos. Dedicar-se-á a ser actor. Mas, bastaria Foolish Wives (1921) e Greed (1923), para lhe firmar o génio.

Citados
· Blind Husbands, 1919
· Foolish Wives, 1921
· Greed, 1923

A indústria de Hollywood

Lendários capitães dos estúdios, construíram a fábrica de ilusões que hipnotizou todo o Globo

Adolph Zukor
1873-1976

Do mudo ao «cinemascope», foi patriarca e anjo da guarda das finanças de Hollywood. Emigrande judeu, fundou em 1912, a Famous Players in Famous Plays, que mais tarde se fundou com a companhia de Jesse Lasky, Sam Goldwyn e Cecil B. de Millem dando origem à Paramount, um dos estelo da indústria cinematográfica americana. «Criou» a longa-metragem, em vez dos filmes curtos da época, e «inventou» a estrela de cinema, fazendo de Mary Pickford a mítica noiva da América. Estrelas dele foram Valentino, Dietrich, Gary Cooper e até os irmãos Marx. Melhor frase: «O público tem sempre razão.»

Irving Thalberg
1889-1936

Figura decisiva dos bastidores de Hollywood. Braço direito de Carl Laemmle, o patrão da Universal, onde fez a vida nega a Stroheim, cortando-lhe as veleidades de orçamentos megalómanos. Louis B. Mayer, patrão da MGM, roubou-o à Universal, oferecendo-lhe a vice- presidência. Tudo o que a MGM fez, entre 1923 e 1932, passou-lhe pelas mãos. O prestígio da companhia —tinha «mais estrelas do que estrelas havia no céu» — forjado pelo luxo e sofisticação da produção, deve muito à sua férrea supervisão. O seu nome, porém, nunca apareceu nos genéricos desses filmes.

David O. Selznick
1902-1965

É o seu nome que vem à cabeça quando se quer referir o papel positivo de produtor no cinema americano. Ficou lendária a batalha para fazer E Tudo o Vento Levou (1939), assim como a sua paixão por Jennifer Jones, com quem casou, consagrando-lhe a produção de seis filmes. Tinha sentido estético: «descobriu» Hitchcock (a quem se dedicou nos anos 40), Ingrid Bergman, Vivien Leigh e Alida Valli. Tinha também gosto pela monumentalidade, patente em E Tudo o Vento Levou, King Kong (1933), Anna Karenina (1935), e Duelo ao Sol (1946).

Citados
· King Kong, 1933
· Anna Karenina, 1935
· Gone with the Wind, 1939
· Duel in the Sun, 1946

Clássicos do cinema

Americanos ou europeus idos para os EUA, criaram um valioso e imperecível património ficcionista

Fritz Lang
1890-1976

Bastava a utopia e a arquitectura de Metropolis (1927) para o incluir nos grandes do século. Mas o nosso imaginário deve-lhe muito mais: As Aranhas, Mabuse, A Morte Cansada e Os Nibelungos são cumes do chamado expressionismo, construídos sobre a ideia de (gigantescos) «décors» e com um genial tratamento do espaço. Hitler quis fazer dele o patrão do cinema nazi. Fugiu para a América, onde os seus temas (o sub-mundo, o poder, a vingança) ganharam em eficácia, quer nos filmes de guerra quer nos filmes negros dos anos 50.

Citados
· Die Spinnen, 1920
· Der müde Tod, 1921
· Dr. Mabuse, der Spieler, 1922
· Metropolis, 1927
· Das Testament des Dr. Mabuse, 1933
· Die Nibelungen: Siegfried, 1924
· Die Nibelungen: Kriemhilds Rache, 1924

Ernst Lubitsch
1892-1947

No seu cinema (americano), as portas são sempre muito mais altas do que as pessoas e a mentira muito mais interessante do que a verdade. Judeu alemão berlinense, é o exemplo maior de uma elegância refinada, ácida e satírica, com que a «Mitteleuropa» brindou o cinema americano da primeira metade do século. Começou a fazer cinema com o actor na Alemanha, em 1912. Dois anos depois, passa à realização, e é já com mais de 20 filmes de carreira que parte para os EUA em 1924. A comédia sofisticada tem nele o génio fundador.

Joseph von Sternberg
1894-1969

De origem austríaca, a sua condição social permitiu-lhe sólidos estudos em Veneza antes de se radicar nos EUA. Teve um começo titubeante, com fracassos, antes de realizar o primeiro grande filme de «gangsters» do cinema (Underworld, 1927), num registo onde o efeito das luzes já desenha num estilo que será o seu. Mas a sua carreira ganha outro alento quando encontra Marlene Dietrich para Anjo Azul (1930). Com ela realizará seis filmes barrocos, belíssimos, quase oníricos e de grande poética.

Citados
· Underworld, 1927
· Der blaue Engel, 1930

John Ford
1895-1973

Acompanhou o cinema quase desde a origem (1917) até ao declínio do período clássico (1966), encarnando o seu espírito operático em 140 filmes. Cantou a América e a cruzada no Oeste em «westerns» inesquecíveis (A Desaparecida, O Homem que Matou Liberty Valance), a sua terra natal, a Irlanda, com uma expressividade umbilical (O Homem Tranquilo, Os Delatores, A Taberna do Irlandês), e a epopeia dos homens face às adversidades sociais (As Vinhas da Ira, A Estrada do Tabaco). O espaço (o meio físico dos horizontes americanos) como significação dramática? Foi ainda ele.

Citados
· The Informer, 1935
· The Grapes of Wrath, 1940
· Tobacco Road, 1941
· The Quiet Man, 1952
· The Searchers, 1956
· The Man Who Shot Liberty Valance, 1962
· Donovan’s Reef, 1963

Howard Hawks
1896-1977

Um dos responsáveis, com Hitchcock, pela imposição da teoria do autor por parte da crítica francesa nos anos 50, cultivou todos os géneros, balizando-os com filmes padrões: Patrulha da Alvorada (1930), filme de aviação; Scarface (1932), filme de «gangsters»; The Big Sleep (1946), filme negro; Hatari (1961), aventura africana, entre outros exemplos. Foi também responsável por uma dupla incandescente: Bogart/Bacall, nascida em Ter e Não Ter (1944). Muitas variantes para um só conceito de homem: viril, forjado na acção e no despique com mulheres de raça.

Citados
· The Dawn Patrol, 1930
· Scarface, 1932
· To Have and Have Not, 1944
· The Big Sleep, 1946
· Hatari!, 1962

Ben Hecht
1894-1934

Simboliza um século de mal-entendidos e punhaladas nas costas, entre o Cinema e a Literatura. Hollywood recebeu este escritor e dramaturgo de braços abertos. Pagou-lhe escrevendo bons argumentos e deliciosos diálogos para Sternberg, Hawks e Hitchcock, entre outros. Mas era considerado apenas o «braço direito», o que lhe doeu no «ego». Vingou-se, denegrindo as fitas e os «pretensos» criadores. E queimou-se com o próprio fogo, quando passou à realização e foi incapaz de transformar em grandes filmes o brilhante talento que o transformou no mais célebre argumentista americano.

George Cukor
1899-1983

Foi o grande director de actrizes do cinema americano. Todas as que lavem um lugar perene na memória passaram pelas mãos deste homem refinado, oriundo de uma família húngara da burguesia novaiorquina. Transitou do teatro para o cinema quando este começou a falar, com a naturalidade de quem sabe tudo sobre encenação, esse jogo de aparências que nos fascina, seja o de uma jovem que se faz rapaz (Sylvia Scarlett, 1935), seja o de uma vendedora de flores que se faz princesa (My Fair Lady, 1964).

Citados
· Sylvia Scarlett, 1935
· My Fair Lady, 1964

Orson Welles
1915-1985

É um homem-lenda. Adolescente, anda pela Europa, a praticar magia, teatro e excessos. Tem 23 anos quando desencadeia o pânico na América com a emissão radiofónica de A Guerra dos Mundos. E tem 26 quando, menino prodígio, faz O Mundo a Seus Pés, que costuma ser considerado o melhor filme de sempre. Depois, fazendo jus à aura de génio maldito, assinou obras-primas esparsas, sempre lutando contra os produtores, e dispersou o talento de actor em mediocridades com que pagava charutos e Rolls Royces, necessidades básicas de um príncipe da Renascença.

Citado
· Citizen Kane, 1941

Alfred Hitchcock
1899-1980

“O cinema não é uma porção de vida, mas uma fatia de bolo.”

O seu maior valor foi ter percebido que havia no cinema um código e uma linguagem ocultos. O seu trabalho consistiu em compreendê-los, sistematizá-los e aperfeiçoá-los, para depois os utilizar como um virtuoso, manipulando a seu bel-prazer as emoções dos espectadores, E o que é mais: os espectadores adoravam ser manipulados por este mestre, mesmo quando eram obrigados a exprimir os seus mais profundos receios e angústias. Deste modo, conferiu novo estatuto ao cinema: nos seus filmes, mais do que os actores, quem passou a falar (e a dirigir a narrativa) foi a câmara, ou seja, o próprio realizador. Não espanta que com ele, pela primeira vez, os espectadores fossem ver um filme não apenas atraídos por quem figurava no elenco mas por quem o dirigia. Naturalmente, a sua especialidade foi o «suspense», que por vezes chegou ao «terror». Não é preciso individualizar títulos: todos têm a sua marca inconfundível. Dirigiu as primeiras obras na Grã-Bretanha natal, a partir de 1925, mas Hollywood seduziu-o (como seria inevitável) pouco após o começo da guerra na Europa. Ali se fixou e ali foi realizando as suas obras-primas.

Elia Kazan
1909-2003

Americano de origem turca, a emigração está presente nessa odisseia que dirigiu em 1963: América, América. Homem do teatro, fundador do Actors Studio em 1947, o seu cinema seria decisivo para impor uma nova geração de actores e um novo estilo de representação, inspirado nos trabalhos de Stanislavski. Brando, com Um Eléctrico Chamado Desejo (1947) e Há Lodo no Cais (1954), e Dean com A Leste do Paraíso (1955), não seriam o que foram sem esses seus filmes.

Citados
· A Streetcar Named Desire, 1951
· On the Waterfront, 1954
· East of Eden, 1955
· America, America, 1963

Joseph L. Mankiewicz
1909-1993

Cineasta-argumentista por excelência, anda no cinema (primeiro como dialogista e produtor) desde os anos 30, passando à realização em 1946. Numa obra em que a palavra é o motor da acção, os destaques vão para Eva (1951), A Condessa Descalça (1954), Bruscamente no Verão Passado (1959) e Autópsia dum Crime (1972), filmes onde a palavra esconde mais do que revela ou faz o papel de uma cortina por onde acedemos a um mundo de fantasmas e de répteis.

Citados
· All About Eve, 1950
· The Barefoot Contessa, 1954
· Suddenly, Last Summer, 1959
· Sleuth, 1972

Nicholas Ray
1911-1976

Um dos cineastas mais amados pelos cinéfilos. Antigo aluno de Lloyd Wright, a sua amizadecom o encenador John Houseman será determinante na sua carreira. Este confia-lhe a realização do primeiro filme, Os Filhos da Noite (1948), onde um jovem casal perseguido pela polícia definirá o seu romantismos febril, de heróis vulneráveis e ameaçados, vencidos pela rebeldia sem causa, que no filme homónimo (1955) glorificou James Dean. Mas a sua obra-prima talvez seja Johnny Guitar (1954), o mais lírico barroco e feminino dos «westerns».

Citados
· They Live by Night, 1948
· Johnny Guitar, 1954
· Rebel Without a Cause, 1955

Visões europeias

O velho continente respondeu com filmes dominados menos pela acção e mais pela interioridade humana

Friedrich Murnau
1911-1976

Foi um poeta das trevas que caminhou para a luz, um germânico que se dirigiu ao paraíso de uma ilha do Pacífico e aí voltou a encontrar as treves. Dele se pode dizer ter sido o cineasta que mais alto erguei a expressividade do cinema antes do sonoro. Nosferatu (1922), O Último dos Homens (1924), Fausto (1926), Aurora (1927, feito nos Eua) ou Tabu (1931, co-dirigido com Flaherty) são obras-primas absolutas. Morreu novo, diz-se que moveu o destino trágico e correm lendas maléficas sobre ele. É um mito negro, do outro lado do cinema.

Citados
· Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, 1922
· Der letzte Mann, 1924
· Faust, 1926
· Sunrise: A Song of Two Humans, 1927
· Tabu: A Story of the South Seas, 1931

Carl Th. Dreyer
1889-1986

O mais austero dos cineastas. A sua obra, da Paixão de Joana d’Arc (1928) a A Palavra (1955), pela aparente vocação mística e pelo tratamento da dor, da esperança, do martírio e da morte, é um dos grandes «ensaios metafísicos» do século. De resto, a história externa dessa obra, feita de longos períodos sem filmar, devido à resistência dos produtores, é o exemplo do martírio a que, mais ou menos subtilmente, os poderes económicos e outros, podem votar no cinema.

Citados
· La passion de Jeanne d’Arc, 1928
· Ordet, 1955

Jean Renoir
1894-1979

Filho do pintor Auguste Renoir, terá recebido do pai o gosto pela observação do mundo e o empenho na procura de uma relação harmoniosa com os seus dados: «Sou um homem do século XIX e preciso da observação como ponto de partida». É a França do século XX que está, inesquecível, em vários dos seus filmes, com destaque para o premonitório A Regra do Jogo (1939). French Cancan ou Helena e os Homens, já nos anos 50, testemunham o seu infinito amor pela vida. Para a História, ficou como «o Montaigne do cinema francês».

Citados
· La règle du jeu, 1939
· French Cancan, 1955
· Elena et les hommes, 1956

Ingmar Bergman
1918-2007

No lugar-comum da segunda metade do século, ele é o realizador a que melhor se associa o estatuto de «artista». Sueco, criou uma obra onde a morte, o sofrimento, o desejo, a solidão e o medo confluem, ante o silêncio gelado de Deus. Monika e o Desejo (1952), Sorrisos de uma Noite de Verão (1955), O Sétimo Selo (1957), Morangos Silvestres (1957), Persona (1966) ou Fanny e Alexandre (1982) são algumas das obras-primas que a pontuam e a que estão ligados umbilicalmente actores como Harriet Andersson, Liv Ulmann, Max von Sydow ou Gunnar Bjornstrand.

Citados
· Sommaren med Monika, 1953
· Sommarnattens leende, 1955
· Det sjunde inseglet, 1957
· Smultronstället, 1957
· Persona, 1966
· Fanny och Alexander, 1982

Luchino Visconti
1906-1976

Natural de Milão, duque de Modrone, rico, homossexual e marxista, passou pelos salões de Paris, pela Resistência e pelas cadeias de Mussolini. Destas matrizes fez um cinema que começou por ser uma pedra fundadora do neo-realismo (Ossessione, 1942, La Terra Trema, 1948, Belíssima, 1951) para cedo levantar voo e tomar uma dimensão operática de quem filma um mundo à beira da extinção (Sentimento, 1954, O Leopardo, 1963, Morte em Veneza, 1971). Foi um não menos importante encenador de teatro e, sobretudo, de ópera.

Citados
· Ossessione, 1943
· La terra trema: Episodio del mare, 1948
· Bellissima, 1951
· Senso, 1954
· Il gattopardo, 1963
· Morte a Venezia, 1971

Roberto Rossellini
1906-1977

Sem ele, a «Nouvelle Vague» não teria tido figura moral a quem invocar. Romano e solar, começou a fazer cinema em 1945, com Roma, Cidade Aberta estabeleceu o ponde de partida para uma das mais fascinantes aventuras intelectuais do nosso tempo, toda centrada na procura da evidência da realidade, por vezes por ínvios e transversos caminhos (Europa ’51, O Santo dos Pobrezinhos), e que viria a terminar num polémico didactismo televisivo.

Citados
· Roma, città aperta, 1945
· Francesco, giullare di Dio, 1950
· Europa ’51, 1952

Michelangelo Antonioni
1912-2007

Cineasta da incomunicabilidade, da solidão, do encarquilhamento da realidade, tornada máscara, opacidade, muro, clausura, começou a carreira em 1943, nas franjas do neo-realismo, mas cedo desviou o seu olhar para a burguesia setentrional italiana e para o «mal-de-vivre» que o milagre económico dos anos 50 destilou. Inventou, em Monica Vitti, o rosto da angústia — O Grito, A Aventura, A Noite, O Eclipse, O Deserto Vermelho (1957-64) — e abriu no cinema muitas portas intrigantes.

Citados
· Il grido, 1957
· L’avventura, 1960
· La notte, 1961
· L’eclisse, 1962
· Il deserto rosso, 1964

Federico Fellini
1920-1993

Mago do cinema italiano e talvez o mais legítimo herdeiro de Méliès, começou como jornalista, tendo depois escrito argumentos. A sua primeira inspiração é neo-realista, mas após A Estrada (1955) e As Noites de Cabíria (1957) o seu imaginário, tocado por um agudo sentimento da morte, cruza o onirismo com as invocações da infância em filmes complexos e barrocos — Roma. Amarcord, Casanova (1971-76) — a que não falta a reflexão sobre os próprios processos de criação — Oito e Meio (1963) ou Entrevista.

Citados
· La strada, 1954
· Le notti di Cabiria, 1957
· , 1963
· Roma, 1972
· Amarcord, 1973
· Il Casanova di Federico Fellini, 1976
· Intervista, 1987

François Truffaut
1932-1984

A sua importância como crítico ultrapassa a do cineasta, sobretudo um bom condutor de actores e um criador de actores e um criador de personagens. Como escritor, «reabilitou»o cinema americano clássico, ensaiou novos conceitos e co-fabricou um dos livros perenes do cinema, a longa entrevista com Hitchcock. Mas Os Quatrocentos Golpes (1959) ou A Criança Selvagem (1970) são filmes formalmente renovadores, via que foi abandonando por um cinema mais tradicional e dependente do romanesco, ainda que inpregnado de «charme» e «sagesse».

Citados
· Les quatre cents coups, 1959
· L’enfant sauvage, 1970

Alain Resnais
1922-

Um dos grandes individualistas do cinema francês, possui uma obra que vai do testemunho documental (Noite de Nevoeiro_, 1956, sobre os campos de concentração nazis) ao delírio romântico (Mélo, já nos anos 80). Muito marcado pelo universo literário, trabalha sobre elaboradíssimos argumentos em que a palavra tem um peso funtamental. A sua primeira longa-metragem, Hiroshima, Meu Amor (1958), parte de um texto de Marguerite Duras. Dirigiu o filme que é tido como uma das maiores revelações de linguagem no cinema contemporâneo: O Último Ano em Marienbad (1961).

Citados
· Nuit et brouillard, 1955
· Hiroshima, mon amour, 1959
· L’année dernière à Marienbad, 1961
· Mélo, 1986

Jean-Luc Godard
1930-

Foi um dos que, em finais dos anos 50, na crítica e no cinema francês, impuseram a Nova Vaga. Os seus filmes da década de 60: O Acossado_, Pedro, o Louco, Weekend. Com o Maio de 68, experimentou a militância política, depois o vídeo, depois regressou à indústria — nunca deixou de experimentar, sendo a sua obra um continente à parte no cinema moderno. Eu Vos Saúdo Maria, escâncado religioso, demarca uma via essencial do seu trabalho recente: a procura do sagrado.

Citados
· À bout de souffle, 1960
· Pierrot le fou, 1965
· Week End, 1967
· Je vous salue, Marie, 1985

Manoel de Oliveira
1908-

Um dos únicos realizadores portugueses que atingiram projecção internacional. Obra inicialmente esparsa, que só conheceu continuidade desde 1974, teve o seu arranque em Douro, Faina Fluvial (1929), um documentário sobre o rio homónimo. Aniki Bobó (1942), evocação dos garotos do Porto, é já um prenúncio do neo-realismo, mas a sua consagração ocorreria com a tetralogia Amores FrustradosO Passado e o Presente, Benilde ou a Virgem Mãe, Amor de Perdição e Francisca (1971-1981) — que imporia o estilo singular de um cinema da «revelação» e da «palavra».

Citados
· Douro, Faina Fluvial, 1929
· Aniki Bobó, 1942
· O Passado e o Presente, 1971
· Benilde ou a Virgem Mãe, 1975
· Amor de Perdição, 1979
· Francisca, 1981

Reis da comédia

Depois de Chaplin, outros exploraram as virtualidades do ecrã como veículo de comunicação do humor

Buster Keaton
1895-1966

Com ele, o cinema burlesco elevou-se à condição de arte superior do gesto. É, com Chaplin, um dos autores mais importantes da comédia no cinema mudo, tento, tal como ele, repartido a sua actividade pela representação e pela realização. Títulos como Pamplinas Maquinista (1926), Marinheiro de Água Doce (1928) ou O Homem da Manivela (1928) impuseram a sua figura universal de homem ultrapassado pelos acontecimentos em que participa sem os compreender, e sempre sem um sorriso. Não resistiu ao advento do sonoro.

Citados
· The General, 1926
· Steamboat Bill Jr., 1928
· The Cameraman, 1928

Groucho Marx
1890-1977
Chico Marx
1886-1961
Harpo Marx
1888-1964

Os mais altos expoentes da anarquia, do «nonsense» e do humor negro no cinema. O primeiro sucesso na Broadway, The Cocoanuts, data de 1925. Quatro anos depois, Hollywood convidou-os a adaptar o êxito ao cinema. A sua irreverência política e sexual nos primeiros filmes, na Paramount, fez história: o ponto supremo atingiram-no, dirigidos por Leo McCarey, em Duck Soup (1933). A passagem para a MGM «amoleceu-os»: a construção mais padronizada dos filmes retirou espontaneidade e agressividade às suas criações.

Citados
· The Cocoanuts, 1925
· Duck Soup, 1933

Jacques Tati
1907-1982

O grande génio do humor francês, actor, realizador, escritor de «gags» que tomam emprestado da realidade o surreal e burlesco que ela contém. Em Playtime (1967), talvez o seu filme mais refinado, vê-se um cão a olhar para uma viatura que um homem limpa. Apenas isto. Só que o pano parece uma pele de cão. Um verdadeiro geómetra na construção do humor, que tem em _As Férias do Senhor Hulot (1953) ou em O Meu Tio (1958) os cumes do seu realismo cómico.

Citados
· Les vacances de Monsieur Hulot, 1953
· Mon oncle, 1958
· Play Time, 1967

Jerry Lewis
1926-

É a figura máxima da comédia americano dos anos 6. Depois de uma popularíssima carreira com Dean Martin, iniciou com Jerry no Grande Hotel (1960) uma actividade dupla — actor/realizador — que o coloca entre os poucos grades herdeiros da tradição clássica da comédia e do burlesco. Alguns dos seus filmes, omo Jerry 8¾ ou Smorgasbord, figuram entre as mais ácidas visões modernas dos modelos de produção cinematográfica americana. Notável «entertainer», nunca abandonou a actividade em palco.

Citados
· The Bellboy, 1960
· The Patsy, 1964
· Smorgasbord, 1983

Woody Allen
1935-

Judeu novaiorquino, actor e realizador que começou a escrever «gags» vendidos «à peça». foi, numa primeira fase (1969-1977), o herdeiro directo de uma dinastia do burlesco, para, a partir de Annie Hall (1977), fazer uma viragem. Desde então, o seu cinema organiza-se menos como espaço de humor e mais como lugar de meditação sobre a vida e a morte, o que ele concretiza numa inconfundível tonalidade, algures entre a irrisão e a angústia o sorriso e a lágrima. Toda uma geração da classe média e urbana se revê nas suas personagens.

Citado
· Annie Hall, 1977

Cineastas malditos

Levaram ao extremo as capacidades, cedo reveladas do cinema como rebeldia e subversão

Luis Buñuel
1900-1983

Da Espanha natal colheu o calor do sangue, do sexo e da morte e um catolicismo entranhado por uma educação de jesuítas. Toda a sua obra cinematográfica é um combate entre essas matérias, sob o signo do surrealismo, de que foi uma das figuras na França dos anos 30, onde se iniciou como realizador. Em 1946, exilou-se no México, onde dirigiu o núcleo mais obscuro e fascinante da sua obra. As obras-primas da maturidade (Viridiana, Belle de jour, A Via Láctea) viriam nos anos 60, quando a Europa o redescobriu.

Citados
· Viridiana, 1961
· Belle de jour, 1967
· La voie lactée, 1969

Pier Paolo Passolini
1922-1975

Áspero, nobre, suicidário, revolvente: a sua obra é das que permanecem como uma das perplexidades interpelantes do século. Quando chegou ao cinema (1961),já era um dos grandes poetas em Itália. Depois, foi uma figura em torno de quem as águas se apartaram, sempre no fio da navalha do escândalo, foco de contradições, motor de incomodidade. Filmou os mitos (O Evangelho Segundo São Mateus, 1964, Medeia, 1970), a turbação (Teorema, 1968) e o horror extremo (Salò ou os 120 Dias de Sodoma, 1975). Teve uma morde a condizer, assassinado por um jovem prostituto.

Citados
· Il vangelo secondo Matteo, 1964
· Teorema, 1968
· Medea, 1969
· Salò o le 120 giornate di Sodoma, 1975

Rainer Werner Fassbinder
1946-1982

Actor, encenador, dramaturgo e realizador, produziu e montou 45 filmes de aparente diversidade, assumindo-se como a grande trave do moderno cinema alemão- Mas é no melodrama, com _As Lágrimas Amargas de Petra von Kant (1971) e A Saudade de Verónica Voss (1982), ou na interpretação social directa, O Casamento de Maria Braun (1978), A Terceira Geração (1979), Lili Marleen (1981), que a fecundidade do seu cinema, mesmo em termos de leitura sociológica, é ímpar. Querelle (filme póstumo) consagra o estatuto marginal que, afinal, sempre terá tido.

Citados
· Die bitteren Tränen der Petra von Kant, 1972
· Die Ehe der Maria Braun, 1979
· Die dritte Generation, 1979
· Lili Marleen, 1981
· Die Sehnsucht der Veronika Voss, 1982
· Querelle, 1982

Outras longitudes

Criadores de novos continentes e paragens confirmaram a universalidade do cinema

Kenji Mizoguchi
1898-1956

Cineasta japonês descoberto no Ocidente depois de 1952, ano da passagem de A Vida de O’Haru no Festival de Veneza. De qualquer modo, a sua longa filmografia começa muito antes, em 1922, prolongando-se até ao ano da sua morte. Reconhecido como um dos mestres absolutos da história do cinema, foi um retratista admirável do Japão feudal e da sua persistência no imaginário contemporâneo. Contos de Lua Vaga (1953), O Intendente Sansho (1954), Os Amantes Cruzificados (1954), e A Imperatriz de Yang-Kuei-Fei (1955) contam-se entre as suas obras máximas.

Citados
· Saikaku ichidai onna, 1952
· Ugetsu monogatari, 1953
· Sanshô dayû, 1954
· Chikamatsu monogatari, 1954
· Yôkihi, 1955

Satyajit Ray
1921-1992

«O Mundo de Apu», trilogia de filmes iniciada com Pather Panchali (1955), foi o cartão de visita internacional da obra deste cineasta indiano. É a obra de um humanista fascinado pelos conflitos de toda a ordem (de sensibilidade, de classe, de crença) que contaminam as relações humanas. Também músico, escreveu grande parte dos temas dos seus filmes (e ainda o de Shakespeare Wallah, de James Ivory). Ainda hoje é o símbolo mais forte da cinematografia que mais filmes produz em todo o mundo.

Citados
· Pather Panchali, 1955
· Aparajito, 1956
· Apur Sansar, 1959

Glauber Rocha
1939-1981

O crítico mais dado à polémica e o estratego do «cinema novo» brasileiro. Em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e António das Mortes (1969) retrata pela primeira vez o Brasil contemporâneo, invertendo a imagem tradicional do cangaceiro escalpelizando as desigualdades sociais. Muito aplaudido na Europa pelos defensores do neo-realismo, o seu cinema tenderá ao barroco numa inflexão que, juntamente com as suas posições políticas, o deixará só.

Citados
· Deus e o Diabo na Terra do Sol, 1964
· O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, 1969

O grande espectáculo

Das grandes massas humanas aos efeitos especiais, o ecrã como meio privilegiado para a monumentalidade

Cecil B. DeMille
1981-1959

O cineasta das duas versões de Os Dez Mandamentos, uma muda, de 1923, outra sonora, de 1956. Produtor e realizador de super-produções bíblicas, foi mais do que isso: pode simbolizar toda a grandiosidade clássica de Hollywood e os seus valores de espectáculo. Quase todos os seus grandes filmes (onde se inclui também uma Cleópatra, com Claudette Colbert) exploram valores visuais e de composiºão que vêm de ilustradores e pintores do século XIX. Também por isso, ele é dos grandes primitivos do cinema.

Citados
· The Ten Commandments, 1923
· Cleopatra, 1934
· The Ten Commandments, 1956

George Lucas
1945-

Com a produção e realização de A Guerra das Estrelas (1977), mudou a paisagem do «entertainment» moderno, impondo o cinema como fenómeno global de espectáculo e «marketing». Da geração de Steven Spielberg para quem produziu a série de Indiana Jones, projectou-se em 1973 com um dos seus filmes-símbolo dos seus valores: American Graffiti. Mais do que um «director» . é um promotor de novas hipóteses de espectáculo, nomeadamente através do desenvolvimento das técnicas de efeitos especiais — fundou, para esse fim, a Industrial Light & Magic.

Citados
· American Graffiti, 1973
· Star Wars, 1977
· Raiders of the Lost Ark, 1981

Steven Spielberg
1947-

O seu nome é tão conhecido como o foi, há cinco ou seis décadas, o de Hitchcock. Razão: dirigiu um dos mais rentáveis filmes de sempre: E.T.; além disso, a sua obra consagra uma ideia de espectáculo indissociável da fantasia, por um lado, e das técnicas de efeitos especiais, por outro. A sua trajectória é uma colecção de sucessos, que vão desde um moderno conto de terror, Tubarão (1975), à saga heróica de Indiana Jones (1981-89). Concretiza também alguns dos seus grandes sonhos, como a adaptação de Peter Pan, com o título Hook.

Citados
· Jaws, 1975
· Raiders of the Lost Ark, 1981
· E.T.: The Extra-Terrestrial, 1982
· Indiana Jones and the Temple of Doom, 1984
· Indiana Jones and the Last Crusade, 1989
· Hook, 1991

Novas direcções

Nomes que procuram renovar o cinema, depois de esgotada a sua fase clássica

Francis Ford Coppola
1939-

Protagonista do renascimento do cinema americano nos anos 70: no plano industrial, o sucesso de O Padrinho I e II (1972-74) permitiu a reorganização estratégica da indústria; no plano criativo, bateu-se pela nova geração de cineastas, os «movie brats». Individualista e megalómano, (basta ver Apocalypse Now, 1979) tntou conciliar o espírito de clã dos velhos estúdios com a renovação formal da linguagem cinematográfica, projecto que falhou quando Do Fundo do Coração (1982), produzido com o método revolucionário do «electronic cimema», se revelou um «flop» levando à falência do seu estúdio.

Citados
· The Godfather, 1972
· The Godfather: Part II, 1974
· Apocalypse Now, 1979
· One from the Heart, 1982

Martin Scorsese
1942-

Cineasta do conflito entre o homem e o seu destino (Touro Enraivecido, 1980), ou entre o homem e a sua missão (A Última Tentação de Cristo, 1988), é dos autores mais brilhantes do cinema americano contemporâneo. Entre as suas primeiras experiências profissionais, inclui-se a colaboração na montagem de Woodstock (1970), de Michael Wadleigh. O actor Robert de Niro tem funcionado como símbolo perfeito das personagens dilacerantes, deste Taxi Driver (1976) a O Rei da Comédia (1982).

Citados
· Woodstock, 1970
· Taxi Driver, 1976
· Raging Bull, 1980
· The King of Comedy, 1982
· The Last Temptation of Christ, 1988

Wim Wenders
1945-

Um dos únicos talentos do cinema alemão que sobreviveram à morde de Fassbinder. Cineasta da errância, aos níveis operático e temático, os filmes que realizou no espaço que lhe é natural, a Europa, como Movimento em Falso (1974), Ao Correr do Tempo (1975) ou As Asas do Desejo (1987), são contudo superiores às que prodigalizaram o seu fascínio pela América: Hammett (1982) e Paris, Texas (1984); embora em todos eles se mantenha fiel aos seus processos estéticos, que aliam uma lógica da ruptura a um paradoxal pendor contemplativo.

Citados
· Falsche Bewegung, 1975
· Im Lauf der Zeit, 1976
· Hammett, 1982
· Paris, Texas, 1984
· Der Himmel über Berlin, 1987

Imagens reais

Encontraram no documentário matéria para narrativas tão portentosas como na melhor ficção

Robert J. Flaherty
1884-1951

Com Nanook, o Esquimó, filmado entre 1919 e 1921, inventou o documentário. Através dos seus filmes, demontrou que era possível ir mais além do mero exotismo das personagens e dos lugares. Ele é, no fundo, um viajente sempre interessado em registar e partilhar a diversidade do género humano. Embora se tenha agastado do projecto, o seu nome está ligado a um dos títulos da filmografia de Murnau: Tabu (1931). O seu tema constante: as relações entre civilização e natureza.

Citados
· Nanook of the North, 1922
· Tabu: A Story of the South Seas, 1931

Joris Ivens
1898-1989

É o próprio símbolo de documentário como registo e arte de compreensão das manifestações do homem enquanto menbro de uma colectividade. Comelou por filmar o seu país natal, a Holanda, mas andou pelo mundo todo, em grande parte com a sua companheira Marceline Loridan: da Espanha de 1938 (Spanish Earth) à China dos anos 70 (Comment Yukong déplaça les montagnes), dos EUA de 1940 (Power and the Land) a Cuba de 1960 (Carnet de viaje). O seu espírito de explorador valeu-lhe o cognome de «holandês voador».

Citados
· The Spanish Earth, 1937
· Power and the Land, 1940
· Carnet de viaje, 1961
· Comment Yukong déplaça les montagnes, 1976

in 1000 Figuras do Século XX, jornal Expresso, 1991

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